No início da década de 1990, o produtor teatral Will Júnior viu um espetáculo na Praça da República e ficou apaixonado. Desde então, passou a estudar sobre artes cênicas e, posteriormente, elaborar projetos para levar ao teatro públicos que não estão acostumados a frequentar esse tipo de espaço - e a tirar o espetáculo dos teatros e a aproximá-los do público em locais alternativos. À frente da Associação Cultural do Pará (ACP), ele coordena uma equipe de profissionais e artistas que realizam o “Festival de Teatro do Pará (Fitpar 2017)”, que este ano chega à quinta edição. O evento já passou por Belém, Marabá, Moju e está sendo realizado até o próximo domingo, 24, em Parauapebas, concluindo este ciclo que iniciou em abril.
Além de promover apresentações destinadas a todas as idades em quadras de escolas, praças públicas e anfiteatros, a ideia do festival é levar aos municípios atividades formativas para que os artistas que possuem grupos amadores ou profissionais possam participar de oficinas e atividades formativas. “Aqui em Parauapebas, por exemplo, existem bem mais grupos do que nós esperávamos, ficamos surpresos com a quantidade de grupos que nos procuraram para participar da mostra e dos workshops de maquiagem, elaboração de textos, dramaturgia cênica”, comemora o organizador do evento.
Cena de “Três Espelhos e uma cama” que será apresentado no próximo final de semana (Foto: Divulgação)
ACESSO À CULTURA
Will Júnior acredita que pulverizar as ações é uma forma estratégica de democratizar o acesso à cultura, mesmo com a difícil - e custosa - missão de viajar com estruturas para que os grupos se apresentem, como camarim e arquibancadas, e, por vezes, elementos para se criar uma caixa cênica apropriada. A ideia é seguir para municípios cada vez mais distantes da capital ou que tenham centros urbanos melhores estruturados. Por isso, a curadoria do festival é toda pensada a partir da adaptação dos espetáculos.
“A curadoria foi algo muito difícil. Em Belém, temos mais ou menos uns 80 grupos de teatro, mais uns 30 nos outros interiores. Me refiro aos grupos profissionais, ainda tem os amadores, mas visamos aqueles que fossem fáceis de adaptar de um espaço ao outro. Começamos analisando essa questão: conseguimos apresentar numa praça? Tem espetáculo de rua que pode ser adaptado para quadra de uma escola? Precisamos optar pela versatilidade, por conta da itinerância”, explica.
Desde a primeira etapa, na capital paraense, o evento já ofereceu mais de 30 atrações teatrais e oficinas culturais, com patrocínio da Caixa Econômica Federal. “O festival é todo gratuito. O que me motiva é a questão da transformação social, eu ainda acredito que, através da arte e da inclusão, é possível transformar jovens e crianças. A gente chega numa periferia para apresentar os espetáculos, as pessoas que estão caminhando na rua param. Percebo que, de onde estejam, ficam admirando, comentam que nunca viram. Muitas se aproximam e me perguntam como fazem para participar, para ver mais trabalhos. E a gente sempre indica para procurarem grupos locais, que se inscrevam e participem”, diz Will.
Programação
A etapa Parauapebas do “Fitpar” iniciou no último dia 15 e prossegue até domingo, 24.
A programação iniciou com a Cia Brasileira de Teatro, de Curitiba, apresentando o espetáculo “Esta Criança”, na última sexta-feira. Desde ontem estão sendo realizadas oficinas de interpretação e de iniciação teatral. Na sexta, começa a última temporada de espetáculos. Confira:
Dia 22 - “Pluft: O Fantasminha” - Grupo Experiência
Dia 23 - “Uma Quase Tragédia” - Cia Thaetro de Icoaracy
Dia 24 - “Três Espelhos e Uma Cama” - Cia Thaetro de Icoaracy
Todos os espetáculos serão exibidos no auditório da Secretaria Municipal de Cultura de Parauapebas (antiga Câmara Municipal, Rua E, 505 – Cidade Nova), com entrada franca
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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