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Repórter da TV Globo assume ser lésbica e desabafa sobre assédio sofrido

A repórter da TV Globo Nádia Bochi decidiu fazer um importante desabafo por meio das redes sociais na noite desta quarta-feira (6): ela escreveu sobre ter se descoberto lésbica, além de criticar o machismo e o assédio no ambiente de trabalho. No longo r

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A repórter da TV Globo Nádia Bochi decidiu fazer um importante desabafo por meio das redes sociais na noite desta quarta-feira (6): ela escreveu sobre ter se descoberto lésbica, além de criticar o machismo e o assédio no ambiente de trabalho.

No longo relato, que foi publicado nas páginas do Facebook e do Linkedin de Nádia, a repórter que atua nos quadros ‘Tem Visita” e “Na Estrada” do programa Mais Você contou que se descobriu lésbica em uma época difícil:

“Me reconheci lésbica numa época em que ser homossexual não tinha nenhum glamour. Não existia beijo gay nas novelas, pelo contrário as lésbicas explodiam junto com os prédios. Aliás, até no cinema era difícil demais encontrar algum tipo de casal que me representasse. Tive que inventar o imaginário que não existia fora da ficção, bem lá na realidade crua onde a palavra homossexualismo ainda era nome de doença, segundo a Organização Mundial de Saúde”, começou Nadia.

“Parece distante, mas isso tudo foi ontem, nos anos 90. Década em que comecei a trabalhar como jornalista em um dos canais de TV a cabo mais importantes do mundo (a HBO) e tive a oportunidade de descobrir que era possível ser gay e viver fora do armário”, continuou a repórter.

Ela conta que hoje consegue manter uma postura firme de autoaceitação sobre a orientação sexual e não esconde a troca de afetos com a companheira.

“Ando de mãos dadas com a minha namorada nas ruas. E uma das descobertas mais felizes que tive é que muitas pessoas simplesmente não se importam com isso. Sinto um prazer sem igual quando alguém para a gente no meio de um abraço pra pedir uma foto e ainda pede desculpas por interromper com tanto carinho uma demonstração de amor. Nunca tive que esconder, nem mesmo das pessoas mais preconceituosas minha orientação sexual e me encho de alegria em dizer que na maioria das vezes tenho sido respeitada por isso”, disse a jornalista.

“Quando minha amiga Maô Guimarães, uma das pessoas mais brilhantes e tímidas que eu conheço me convidou pra escrever sobre como é ser gay no trabalho, achei importante contar meu caminho. Ela igualmente escreveu a história dela e é libriana como eu. Também tem uma namorada que ela ama e um trabalho que valoriza o fato dela ser exatamente como ela é. Somos duas mulheres que tem a chance de viver nossa afetividade sem pudores. E se essa realidade ainda não é para todas e todos, é por isso que hoje escolhemos ser vozes reais. Testemunho vivo, necessário e militante! Porque é urgente poder ser tudo que somos, mais do que nunca e sem nenhum direito a menos”, completou.

Machismo e assédio no trabalho

No relato, além de falar sobre a orientação sexual, Nádia revelou situações e que precisou enfrentar o assédio sexual e a homofobia.

“Algumas vezes tive que colocar a prova minhas convicções. Enfrentei situações de assédio, como a maioria das brasileiras. E acreditem, quando isso acontece com uma mulher lésbica a violência é muito cruel porque além do ato ser machista é homofóbico”, escreveu a repórter.

“Lembro da vez triste em que fui assediada por um chefe que insistia em, além de me beijar, questionar minha escolha de amar mulheres. Não permiti que o beijo acontecesse. Principalmente não deixei que aquele ato de violência colocasse em dúvida quem eu era. E mais uma vez, sei e reafirmo que tive muita sorte”, completou Nádia.

Veja o relato da repórter na íntegra.

(Com informações do site papel Pop)

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