Artistas e amantes da arte cênica no Pará também lamentaram a morte da atriz e cantora Bibi Ferreira. Considerada a dama do teatro brasileiro, Bibi eterniza esse título, deixando presente um grande legado no teatro, que transcende a arte musical.
O diretor e dramaturgo paraense, Guál Dídimo, relembra a artista multifacetada. "Ela foi precursora em muitos aspectos, sendo mulher, uma pessoa pequena - de baixa estatura -, mas de enorme talento, em presença cênica. Bibi era diretora, dramaturga, atriz, produtora, administradora de teatro também. Ou seja, ela era uma mulher que entendia o ofício como ninguém", afirma.
"A Bibi é um gênio brasileiro. Morreu um gênio brasileiro", define o colunista Edyr Proença. "Ela fez radionovela, cinema, novela, gravou discos. É uma atriz absolutamente completa, cantava, atuava. Ela chegou até pouco tempo fazendo show, já estava pronto para sair disco dela. Bibi trabalhou até o fim da vida. Ela tinha uma seriedade na carreira", diz.
Para ele, uma das mais brilhantes atuações que ele assistiu de Bibi foi no palco do Theatro da Paz, em Belém. "Ela interpretou Piaf (em "Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção", com o qual percorreu o Brasil inteiro e vários países, encerrando a turnê em Portugal). Uma excelente e formidável atriz, insubstituível. Ela será eterna", acredita.
Sempre citada no presente, Bibi crava seu nome na história por ter uma trajetória única, avalia Guál. "Ela foi protagonista de espetáculos muito importantes, como 'My fair Lady', 'Hello, Dolly!', espetáculos como 'Homem de La Mancha', que foram chaves para o surgimento e crescimento para o teatro musical nacional.
Mais tarde, Bibi protagoniza Medeia, personagem de uma grande obra chamada "Gota d'Água" de Paulo Pontes e Chico Buarque e logo depois, ela toma para si o desafio de interpretar Piaf, no palco, lembra Guál. "O legado dela é para ficar na história. Ela tem um prêmio de teatro musical que foi nomeado depois dela, Bibi Ferreira, que é o prêmio mais importante do teatro musical nacional", destaca.
Pessoalmente, o dramaturgo conta que teve a honra de ver Bibi ao vivo, no ano de 2016, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. "Eu fiquei muito extasiado, porque estava vendo ali um monstro, uma lenda viva do teatro brasileiro. Naquele momento eu pude entender a importância da figura da Bibi", rememora.
RECONHECIMENTO
O ator Adriano Barroso, que atua ainda como diretor do Departamento de Artes Cênicas da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) também exalta o legado da artista. "A Bibi é um dos grandes símbolos de uma artista que dignificou o teatro. Que só conseguiu ser a artista que foi quando percebeu que a nossa arte precisa ser cuidada e regada. Foi não, ela é a crença do quão é importante estar em cena", avalia.
Barroso também destaca a seriedade com que Bibi tratava a carreira. "Apesar de que as pessoas acham que o artista é um beberrão, boêmio, nós trabalhamos com o nosso corpo, que é um instrumento, ele precisa ser cuidado, precisa estar o tempo todo em exercício, se cuidando. A carreira da Bibi, só demonstra isso", defende. "Com uma voz límpida, essa longevidade provém muito do quanto se precisa levar a sério esse oficio. Com a cabeça boa, se vive mais tempo. E volto a dizer, com dignidade, moral, estar inteiro é o grande aprendizado que a gente tem", avalia.
Há dois anos, quando ela completou 93 anos, ainda estava em cartaz. Fez espetáculo até se aposentar, lembra Adriano. "É uma pena ela ter nos deixado, mas também é de uma grande felicidade ter dentro de nossa convivência seu talento e sua presença por tanto tempo", pondera.
(Wal Sarges/Diário do Pará)
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