O cantor Caetano Veloso decidiu interpelar judicialmente o bispo auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil, Dom José Francisco Falcão, que afirmou, em uma missa, que gostaria de "dar veneno de rato" para o "imbecil" que compôs a música "É proibido proibir". A informação é da revista Época.
A missa foi realizada no domingo passado (31), em comemoração ao golpe de 1964 que tirou João Goulart do poder e instaurou a ditadura militar no Brasil, que durou até 1985.
Segundo a Época, o cantor irá acionar a Justiça para que o bispo diga judicialmente quem é o "imbecil" a quem se referia, e qual seria a pessoa que ele gostaria de matar com o veneno. Caetano é o autor da canção.
A fala do bispo repercutiu após reportagem da Veja na segunda-feira (1º).
Em nota oficial, a Arquidiocese Militar do Brasil disse que a missa celebrada foi em ação de graças pelas promoções dos oficiais generais do Exército Brasileiro, e que tais comemorações ocorrem nesta data desde a década de 1970. "Em nenhum momento do transcurso da Missa falou-se de 'ditadura' ou 'golpe' ou se agradeceu a Deus por outro motivo", diz a nota.
A Arquidiocese também respondeu que em "nenhum momento do transcurso da Missa fez-se alusão do nome de qualquer cantor ou compositor" e que, na verdade, o bispo se referia a uma parábola bíblica.
"No transcurso da homilia, gravada em áudio, que comentou exclusivamente as leituras litúrgicas, ao se falar da atitude do filho pródigo ao abandonar a casa do Pai, em busca de uma liberdade sem proibição, aludiu-se ao correto significado de 'liberdade', que comporta um conjunto de restrições, portanto de proibições; de fato, dos dez mandamentos da Lei de Deus, seis são proibições. Daí que, na visão cristã, não se pode falar de 'liberdade' e, ao mesmo tempo, de 'proibição à proibição'."
(DOL)
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