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Capoeira pode ganhar seu primeiro game em 2011

Considerada a mais brasileira das artes marciais (apesar de alguns adeptos não a considerarem uma arte marcial), a capoeira pode ganhar, em 2011, o primeiro jogo para chamar de seu. Fora os games online, como “Capoeira Fighters” (que já está em sua te

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Considerada a mais brasileira das artes marciais (apesar de alguns adeptos não a considerarem uma arte marcial), a capoeira pode ganhar, em 2011, o primeiro jogo para chamar de seu. Fora os games online, como “Capoeira Fighters” (que já está em sua terceira versão), o estilo de luta tipicamente brasileiro nunca foi explorado em um game só seu – diferente do que acontece com outras lutas, como boxe, caratê e wrestling.

Até hoje, a capoeira só existe para o mundo dos games em participações pontuais, em jogos como “Fatal Fury” (1991), “Street Fighter III” (1997) e “Tekken 3” (1998). Há três anos, a produtora italiana Twelve Games tenta corrigir esta falha. Desde dezembro de 2007, trabalha no desenvolvimento de “Martial Arts: Capoeira”, game inicialmente previsto para o final de 2008, depois adiado para 2009, 2010... E agora, de acordo com a própria produtora, finalmente sairá em 2011.

Confira fotogaleria do jogo “Martial Arts: Capoeira”

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Quando foi anunciado pela primeira vez, o jogo seria destinado a cinco plataformas: PlayStation 2, PSP, Wii, XBox 360 e PC. A presença do Playstation 2 (geração já superada pela Sony) e ausência do Playstation 3 (a mais nova e moderna geração de games) causaram estranheza quanto à viabilidade do game. Nos mais conceituados portais de games do mundo, o jogo aparece com datas de lançamentos no mínimo estranhas. No IGN.com, o lançamento aparece marcado para 31 de março de 2009. Na Gamespot, a data surge como “TBA” (“To Be Announced”, ou “a ser anunciada”). Por sua vez, o brasileiro Uol Jogos diz que o jogo já foi lançado em 2008... O próprio site oficial da Twelve Games não dá muitos detalhes sobre o lançamento e contribui para criar uma atmosfera nebulosa ao redor do game, informando apenas que o jogo virá em 2010 (“Coming 2010”).

Diretor garante que lançamento será em 2011

Diante de tantas incertezas, o DOL entrou em contato com a produtora, sediada em Crotona, na Itália, para tentar obter mais informações sobre o projeto. O próprio diretor e fundador da Twelve Games, Giuseppe Crugliano, falou conosco, via e-mail, e garantiu que o game será lançado em 2011. “Estamos agora mesmo fechando um acordo com uma nova distribuidora para lançar o game no ano que vem”, afirma Crugliano.

Ele confirmou que alguns problemas atrasaram o projeto, mas que todos foram contornados. Para se adaptar às mudanças do mercado, a empresa teve que mudar de distribuidora duas vezes, desistir das versões de PS2 e Wii e investir no PS3. “De fato, estamos planejando uma nova versão para o jogo, para PS3 e Xbox 360, já que os mercados de Wii e PSP estão em baixa e nós corríamos o risco de queimar o projeto”. O jogo terá lançamento na PSN (a loja online da Sony) e na Xbox Live Árcade, além do PC.

Giuseppe Crugliano acrescenta que a mistura de dança e arte marcial proporcionada pela capoeira foi um desafio a mais no projeto. “A capoeira é uma arte marcial muito diferente e a captura de movimento foi desafiadora. Mas o grupo Soluna, em Roma, nos ajudou!”, explica Crugliano, referindo-se ao grupo de capoeira fundado pelos mestres brasileiros Ratinho e Pudim, na capital italiana. Criado há mais de 15 anos, o grupo atuou diretamente na captura dos movimentos, com o objetivo de reproduzir com a maior naturalidade possível os belos golpes da capoeira.

Para o diretor da produtora, o game deve agradar vários tipos de público. “Desde fãs de games de luta a milhares e milhares de praticantes de capoeira ao redor do mundo”, avalia Crugliano. O game traz 12 lutadores diferentes, que se reúnem para jogar capoeira nos principais pontos turísticos do mundo, incluindo o Coliseu de Roma, as proximidades da Torre Eiffel (Paris, França), Taj Mahal (Índia) e a Ópera de Sidney (Austrália), além do Corcovado, no Rio de Janeiro. Os nomes dos jogadores/lutadores também trazem familiaridade para os brasileiros. Entre eles, estão Ratinho (homenagem ao criador do grupo Soluna), Guerreiro, Gigante, Tarântula e Medusa, mas também tem estrangeiros, como Scarab (egípcio), Earthquake (japonês) e DeeJay (norte-americano).

Primeiro capoeirista nos games vem de 1991

A primeira vez que a capoeira apareceu em um game de grande projeção foi em “Fatal Fury”, de 1991. No entanto, a animação do personagem, o brasileiro Richard Meyer (Richard? E isso é nome brasileiro? E Meyer? Ele mora no Meyer?), era tão ruim que muita gente duvidava de que ele fosse realmente capoerista, apesar da roda (sem berimbau) que se formava atrás dele, em seu cenário oficial. Sua ginga era tão ruim que só pode ser justificada pelo fato de ele ser um “mestre” de cordel verde (para quem não sabe, este é o nível mais baixo da capoeira...)

Em 1995, a SNK tentou consertar os erros de Richard Meyer com seu discípulo, Bob Wilson, no game “Fatal Fury 3”. Não conseguiu, apesar de ter acrescentado berimbau no seu cenário (dois de uma vez). Mas o personagem não sabia gingar (na verdade, nem tentava. Acho que a equipe da SNK, na época, chegou à conclusão de que fazer um personagem de game em 2D era tão difícil quanto colocar um ovo em pé).

Em 1997, a franquia “Street Fighter” ressurgiu para o mundo com sua terceira versão e trouxe vários personagens novos. Uma delas era a capoeirista Elena, que parecia representar perfeitamente o estilo de luta tupiniquim e teria enchido os brasileiros de orgulho se não fosse por um detalhe: ela era queniana. Reza a lenda que a equipe de desenvolvimento de “Street Fighter III” teria recebido a consultoria de mestres brasileiros de capoeira, mas, na hora de decidir a nacionalidade da personagem, optou pelo Quênia, já que o Brasil já estava representado no game com o personagem Sean (aluno de Ken) e, em edições anteriores, com o monstrengo Blanka.

Em 1998, quando todos os gamers brasileiros já estavam conformados com o fato de que nunca veriam sua arte marcial bem representada em um jogo de videogame, a Namco surgiu com o revolucionário Eddy Gordo em “Tekken 3”. Não tem como negar: a animação do personagem é perfeita – seguindo o padrão de qualidade da franquia, que reproduz com exatidão os mais variados estilos de luta. O resultado fez brilhar os olhos dos capoeiristas brasileiros, que se empolgaram ainda mais ao ver a performance de Christie Monteiro, aluna de Eddy Gordo, em “Tekken 4”. Pronto. O mundo dos games estava redimido.

(Carlos Gondim/DOL)

Clique nos ícones abaixo e confira fotogaleria e cenas do jogo:

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