ÁGUA DOCE

Aíla traz sons que retratam a periferia em novo trabalho

Novo single de Aíla, ‘Água Doce’ é um zouk dançante que tem a ver com uma mistura de ritmos

segunda-feira, 05/04/2021, 23:24 - Atualizado em 05/04/2021, 23:23 - Autor: MIchelle Daniel/Diário do Pará


O terceiro disco da cantora paraense será lançado em maio, cinco anos depois do último álbum, Em Cada Verso Um Contra-Ataque
O terceiro disco da cantora paraense será lançado em maio, cinco anos depois do último álbum, Em Cada Verso Um Contra-Ataque | Estúdio Tereza e Aryanne/ Divulgação

“Estou mergulhada, imersa nesse processo”. É assim que a cantora paraense Aíla, 32, descreve o sentimento que tem a ver com o lançamento do novo trabalho, o single “Água Doce” e videoclipe da canção que faz parte do novo álbum que deve lançar no mês de maio deste ano. O single e o videoclipe estão disponíveis nas plataformas digitais e no canal oficial da cantora no YouTube desde a última terça-feira (30), e já são um bom aperitivo do que vem por aí.

Aíla conta que “Água Doce” estará no seu terceiro disco – ainda sem título – e que foi escolhida para dar uma prévia do trabalho que reúne outras seis faixas autorais. O novo álbum da cantora será lançado depois de cinco anos do segundo disco, “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, apresentado ao público em 2016, e que traz nas letras uma narrativa de tom mais político, que posicionou a cantora como uma importante artista na cena LGBTQIA+, mas sempre com ritmos dançantes, incluindo os paraenses, são presentes.


Assim como ocorreu no seu primeiro disco “Trelêlê’’, lançado em 2012, Aíla já apontava a boa relação e afinidade com a música paraense, misturando o carimbó, lambada e brega. O disco conta com participação de Gaby Amarantos e Dona Onete, onde Aíla foi a primeira cantora a gravar uma composição da rainha do carimbó chamegado, “Proposta Indecente”, acompanhada de um videoclipe. “Cada álbum tem a ver com o contexto que o artista cria, imagino um álbum cheio de personagens e roteiros. Nesse novo não está atrelado ao primeiro e ao segundo. Isso instiga não ter de repetir. E por eu ter nascido e morado 25 anos no bairro da Terra Firme, sempre quis mergulhar na periferia daqui e de fora do Estado. Acredito que música pop no Brasil hoje é reflexo da música periférica e esse novo trabalho traz isso”, diz Aíla.

Segundo ela, “Água Doce” é um zouk dançante e que tem a ver com um misto de ritmos, como funk, reggaeton, além de outras referências da cultura popular, “tem a ver com o corpo se mexer”. A letra gira em torno de amor, paixão, sofrência, ironia, verão, calor. “A temática é diversa, também é mais pop, vibrante, e é um contraponto diante desses tempos tão duros e difíceis que estamos vivendo. A música pode alegrar e curar”, acrescenta. 

O clipe de “Água Doce” foi gravado no ano passado na Ilha das Onças. O contexto traz uma analogia à lenda do boto que encanta mulheres, a engravida, depois some. “A gente brinca com a mitologia do boto invertida, como se eu fosse uma bota que encanta outra mulher, e isso representa também o meu lugar de fala enquanto lésbica. Apesar da música não ter esse cunho político, no fundo a gente traz a mensagem de inverter a narrativa da lenda colocando como protagonista uma mulher, uma bota lésbica que nasce nos rios da Amazônia e que encanta corações”, detalha a artista.

Aíla começou a cantar na noite de Belém em 2010. Além dos dois discos na carreira, Aíla coleciona ainda singles e participações em trabalhos de outros artistas. Para ela, o novo trabalho representa uma fase de amadurecimento enquanto compositora, cantora e produtora. “Esse último, assino junto com outras pessoas pela primeira vez. Foi uma pesquisa profunda de ritmos, sons que nascem na periferia, tarefa que vai além da cantora. Isso para mim é uma fase bem de autonomia”, avalia.

A composição do novo single é de Aíla, Aline Falcão, Neila Kadhí, Roberta Carvalho. A produção musical é de Aíla, Aline Falcão e Will Love. O clipe é dirigido por Aíla, Roberta Carvalho, Vitor Nunes e Matheus Almeida, ainda conta com a participação da atriz Mityzi Passos. O projeto é realizado pela Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), com recursos oriundos de Emenda Parlamentar.

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