Fazendo uma grande viagem pelos sambas-enredo do carnaval paraense, interpretados por novos nomes e também pela velha guarda das escolas, como Ademar Carneiro e Creuza Gomes, será exibido nesta sexta-feira, 18, e sábado, 19, a partir das 22h, o programa “Batuque Cabano”, pela TV Cultura Pará. As datas coincidem com aquelas que seriam dedicadas ao desfile das escolas de samba, do Grupo de Acesso e do Grupo Especial, tornando-se também uma forma de manter viva a folia, mesmo que dentro de casa.
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“Não só por ser nos dias do desfile, mas o programa supre essa ausência por trazer a carga emocional. Ao longo da gravação teve depoimentos, uma pessoa lembra que no último ano [de desfile antes da pandemia] estava na arquibancada com o pai comendo pipoca, gente que estava desfilando e ocorreu algo com a fantasia, tendo que resolver na hora. Isso que a gente quer ver nos comentários durante e depois da transmissão, essa memória, incentivando as pessoas a se reunir para assistir e viver esse clima”, diz Bruno Costa.
Além de ser idealizador do show “Batuque Cabano”, que deu origem ao programa, Bruno atua como apresentador ao lado de Fábio Moreno, recebendo os convidados e também cantando com eles em alguns momentos. “Apesar da expectativa grande, da responsabilidade, acredito que nós conseguimos superar o que tínhamos imaginado, muito pela atmosfera do dia da gravação, com os convidados muito felizes, um de cada escola associada à Liga da Escolas e alguns extras, que cantaram sambas de escolas que não existem mais”, adianta.
Cada edição abre com esse “Bloco da Saudade”. Ademar Carneiro, um dos intérpretes com mais tempo em atividade - quase 40 anos -, resgatou o extinto Arco Íris, do Guamá. A puxadora de samba Creuza Gomes, conhecida como o Rouxinol da Amazônia, interpretou o extinto Unidos de Vila Farah, outro bloco que fez história. Ainda há obras de compositores como Eneida de Moraes, João de Jesus Paes Loureiro, o cantor Wando, que fez samba para o extinto Bloco Xavante, e Bosco Guimarães, um recordista de samba-enredo a nível nacional.
“A gente procurou mesclar compositores e intérpretes da velha guarda com a nova geração, como Luizinho Moura, que representou a escola de samba da Matinha, e Mariza Black, com a Piratas da Batucada. Por isso, acredito que vamos atingir um público bastante diversificado, falando de carnaval, de memória”, completa Bruno. Entre os convidados estavam ainda Anderson Mendes, Daniel Cardoso, João Marcos, Ney Simplicidade e Alba Mariah, e há ainda depoimento de compositores como Bosco Guimarães e Vetinho.
Mariza Black conta que a experiência foi maravilhosa. “É uma proposta que ficou para o carnaval paraense nesse momento de pandemia, de não deixar morrer. A equipe estava muito motivada e a energia foi única. Quem esteve lá, foi de corpo e alma”, garante a intérprete. Para Fábio, a expectativa é que o programa se torne fixo na programação carnavalesca da cidade, pois histórias não faltam para contar e nem sambas a rememorar. “Nosso carnaval é quase centenário e tem uma identidade muito própria, temos uma forma peculiar de fazer samba. É um carnaval de cabanos de fato”, garante..
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