Depois de uma pneumonia que o afastou por vários meses do palco, o cantor paraense Rafael Lima está de volta. “Eu digo que eu estava de recuperação... Em física, matemática, mas agora já passei”, brinca o músico. A apresentação ocorre hoje, às 19h, no Sesc Boulevard. Contando com a presença do amigo percussionista Zé Macedo, ele retoma as canções da coletânea “Cantatas de Embate”, cujo CD ainda não foi lançado, e ainda abarca algumas ladainhas do projeto de pesquisa interrompido durante o tratamento médico.
“Sempre fiz várias canções voltadas para questões de latifúndio, disputas de terras... E na Amazônia isso é ainda mais criminoso. A coletânea – que é a base desse show – é uma parceria com o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), que não chegou a ser prensada ainda”, conta ele. Além de trazer versões renovadas de canções de discos anteriores, como o “Nômade” (2015), o álbum traz canções inéditas, como o reggae “Pau Torando”, que fala das chacinas na periferia de Belém realizadas pela milícia, e “Pacto Cidadão”, feita quando do assassinato da freira americana Dorothy Stang.
Para o show, além dessas, Rafael Lima faz questão de apresentar “As Pedras Gritarão”, feita quando do massacre de Eldora dos Carajás. “Ela está com novo arranjo, bem pesado e bonito como a música pede”, diz ele. Pelo meio, algumas ladainhas. “É o último trabalho que estava fazendo, num período em que eu já estava doente sem saber, viajando pelo Marajá, Ponta de Pedras, São Miguel [do Guamá], pesquisando o trabalho bonito das ladainhas”, conta ele, que agora pretende retomar o material.
“A convite do [técnico de som] Fernando Dako, amigo de quase 40 anos, estou gravando o resultado dessa pesquisa e ele está produzindo no home studio dele. O Nilson [Chaves] já cantou uma. Era só para mostrar o resultado da pesquisa, mas está virando um disco tão bonito”, comenta Rafael. Outros amigos que colaboram com essas gravações também participam do show de hoje, como a cantora Andrea Barbosa e o percussionista Zé Macêdo. “Ele é um irmão, um percussionista muito criativo, um Naná Vasconcelos”, elogia o músico, grato pela companhia no palco em sua volta logo mais.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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