Guilherme d’Almeida, Tim Bernardes e Biel Basile formam O Terno, com fortes influências sessentistas. (Foto: Marco Lafer/Divulgação)
A banda paulista O Terno, formada por Tim Bernardes (guitarra e voz), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile (bateria), acredita que encontrou um caminho do meio. Ou mediastream, como definiu Tim, em entrevista por telefone ao Você. Trata-se de um movimento de produção e distribuição musical que não é exatamente massivo, portanto, não é de arrebatar grandes públicos, mas também está fora do underground da “banda legal que ninguém conhece”, como colhiam os louros certos grupos há uns anos atrás. E os meninos, com seus 20 e poucos anos, sabem disso: comunicam-se com seus fiéis fãs por meio das redes sociais e mantêm-se em constante contato com referências da geração de seus pais e de sons contemporâneos, principalmente da Europa e dos Estados Unidos.
Prova que esse “caminho do meio” tem dado certo foi a rapidez com que se esgotaram os ingressos para os dois shows que apresentam amanhã, no Ziggy Hostel Club, em Belém: questão de minutos. Seria apenas uma apresentação, às 22h, que foi dobrada, e eles também farão outro show às 20h.
Tim e companhia estão muito contentes. Eles se apresentaram pela primeira vez na capital durante o Festival Se Rasgum, em novembro do ano passado, mas não esperavam todo esse fervor agora. “Já havíamos percebido pelas mídias sociais alguns pedidos para que a gente se apresentasse aí. E desse primeiro show, foi surpreendente ver a reação das pessoas, já cantando (as músicas da banda). O público é animado”, comemora o vocalista, uma espécie de bicho-grilo contemporâneo, com óculos redondos, barba e cabelo no stylist da década de 1970 - como manda a sonoridade proposta pelo grupo, um pop experimental psicodélico com letras que falam de amor e relacionamentos.
Faz sentido: uma das principais influências dos rapazes são Os Mutantes, cujas músicas eles chegaram a tocar, ainda na adolescência, quando formaram o power trio. “Éramos moleques e tocávamos juntos desde 2009. Mas sempre pensamos na carreira autoral. Eu mesmo escrevo e componho as melodias e os arranjos”, diz Tim. “E a nossa estética sonora foi algo natural, gostamos da música dessa época, 1960 e 1970, nos interessa musical e artisticamente. E quando fomos fazer música, já tínhamos isso em mente, mas sem querer soar retrô ou velho, e sim resgatar o que fazia sentido para a gente”, explica.
Turnê europeia marcou nova etapa da banda
O primeiro disco veio em 2012, “66”, e as músicas começaram a tocar nas rádios e nas rodinhas de amigos. Já em “O Terno” (2014) e “Melhor do que Parece” (2016), o boom do mediastreasm, como disse Tim, foi começando a ser mais perceptível. Logo vieram convites para o Lollapalooza e para o festival Primavera Sound, em Barcelona, na Espanha, no ano passado, qando eles aproveitaram para fazer também a primeira turnê europeia.
“A gente conseguiu sair do círculo de amigos, começamos a tocar fora de São Paulo, o segundo disco mais que primeiro foi tocando mais em rádio, e chegamos a uma identidade sonora. É legal, no sentido de que a gente sempre experimenta e faz o que quer. Arriscamos fazer diferente e o público diz que está gostando. Dá um conforto de poder experimentar que em algum lugar mais alguém vai gostar.”
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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