Guilherme Arantes está completando 40 anos de carreira, entre dezenas de sucessos radiofônicos e canções em novelas que continuam vivas, e com um público cativo. Um feito para poucos, com uma trajetória a ser comemorada. E é esse show festivo que o cantor e compositor apresenta amanhã, a partir das 22h, no Grêmio Literário Português, em Belém. O show é o destaque do tradicional “Abril em Portugal - Festival de Queijos e Vinhos” promovido pelo clube, que também traz a participação da paraense Jeanne Darwich cantando um repertório de fados.
Essa habilidade de manter-se pleno de si, Guilherme Arantes parece trazer lá do início, quando foi pressionado a imitar Elton John. “Tive que ‘cortar um dobrado’, como se diz, lutar bravamente, no começo da carreira (uns poucos anos adiante, quando a Globo me lançou com 22 anos de idade), para manter a minha brasilidade e evitar a imitação gratuita, tanto em música como em visual e comportamento”, escreveu o cantor em entrevista recente ao Estadão.
E foi assim também, mantendo-se firme, que decidiu por se tornar um músico popular e não um rock star. O tempo mostrou que a intuição estava certa. Para o despontar da carreira, em definitivo, ele tem como marca a música “Meu Mundo e Nada Mais”, composta em 1969, e que entrou na trilha da primeira versão da novela “Anjo Mau”.
A cantora paraense Dayse Addario lembra afetuosamente da canção, do período em que a ouvia bastante ao lado de amigos. “A gente se identifica, nas várias fases da nossa vida. Quando essa música tocou na novela, sentia que gerava reflexão. Tiro por mim. O Guilherme Arantes tem essa peculiaridade da composição, fala dos sentimentos que todos sentimos, sendo um porta-voz. Ouvi-lo hoje é voltar no tempo de uma forma muito boa. Ele fala diretamente ao público, não é difícil de entender, mas tem a sofisticação”, opina.
Para o instrumentista e compositor Ziza Padilha, Guilherme Arantes foi uma influência forte para os artistas que surgiram depois, no bojo dos festivais da canção realizados em todo o país. “Arrigo Barnabé e Djavan são exemplos. Ele faz parte de uma geração de artistas, pós-Tropicália, que seguiram por outras influências, dentro de seu estilo musical e característica. Mostraram sua cara. E ele faz parte desse caminhar dos anos 1980 para cá”, diz.
Com a música sempre na cabeça
Um compositor sensível à alma humana, Guilherme Arantes também é um virtuose. Entre as recordações de menino, indisciplinado e briguento, lembra ter tirado, de ouvido, uma peça do compositor alemão Haendel, após ouvir o vinil com o cravo tocado por Wanda Landowska. “Fui cara-de-pau. Fiz de conta que havia estudado pela partitura”, revela em sua biografia, para contar que logo foi pego. “D. Joanita percebeu que na mudança de página eu continuei a tocar, sem virar a folha. Pronto. Fui desmascarado no ato”.
Com seis anos, Guilherme já tocava cavaquinho - um presente despretensioso de Natal. Depois, foi estudar piano. Mas não acreditava que um dia iria optar pela carreira artística. O pai, médico, teve papel fundamental na escolha dele pela música, por manter um violão em casa no qual tocava sambas e chorinhos, e pelo deleite e afeição aos vinis.
“A música sempre soou dentro de minha cabeça, como se houvesse um radinho ali sempre ligado. Talvez por isso nunca consegui, e ainda não consigo, ficar ouvindo muitos discos. Menino, eu ficava ouvindo música e pensando como deveria ser bom ser aquela figura oculta, o compositor, aquele que bola a música, que gera o sinal inicial, o fundamento”, revela o compositor em sua biografia, lembrando que “Chega de Saudade”, de João Gilberto, foi um dos discos que mais ouviu, além de Edu Lobo com o Samba Trio, Baden Powell, Elis e Tom, Taiguara, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Lô Borges, Glenn Miller, Ray Charles, Beatles, Stones...
Cantora preparou show de fados românticos e canções folclóricas (Foto: Divulgação)
Jeanne Darwich canta fados e rapsódias
O evento “Abril em Portugal - Festival de Queijos e Vinhos” também terá a participação especial da cantora Jeanne Darwich, com o show “Uma Noite em Portugal”, com repertório voltado para as canções típicas do país, como os fados e as rapsódias.
A cantora já tem se apresentado há quase dois anos com músicas lusitanas, e foram necessários alguns ajustes para melhor interpretar as composições. “Precisei de uma mudança na colocação de voz. Comecei a cantar como brasileira e depois coloquei o sotaque de Portugal. E também um pouco da forma dramática de cantar, que já trago na minha bagagem, mas agora com voz um pouco mais à frente. Hoje me dou muito bem com o fado, sou apaixonada. Teremos o momento mais calmo e depois vamos
Noite completa
Abril em Portugal |
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar