Uma noite de mulheres no palco fortalecendo a cena autoral brasileira da nova MPB na voz feminina. Assim será o show que Ana Muller e Tay Galega fazem amanhã, em formato acústico e intimista, no Fiteiro, mostrando os talentos que estão aflorando no streaming e redes sociais, maior disseminador da música atual. Realização de No Name Produções.
Com uma roupagem voz e violão, as meninas prometem demonstrar suas verdades e falar do papel de resistência das mulheres na música em uma noite composta apenas por artistas mulheres no palco. O coletivo Empodera é quem abre esse show com as paraenses Nathalia Petta, Lívia Mendes, Lari Xavier e o Versos Polaris de Nathália Lobato mostrando seus trabalhos autorais.
“Voltar a Belém em um evento que traz apenas mulheres ao palco é muito especial. Tocar com a Ana Muller, que é uma mulher maravilhosa, é uma oportunidade única e é melhor ainda por ter as meninas de Belém mostrando seu trabalho na abertura. Isso me deixa extremamente satisfeita e realizada”, afirma Tay Galega.
Para Ana é sempre difícil ser levada a sério em qualquer meio pelo fato de ser mulher, principalmente na música, já que a maioria das composições sempre foram feitas por homens.
“É importante mulheres compondo suas vivências, tomando a frente, até quando o eu lírico é feminino. Temos ainda muitas barreiras pra vencer, mas já estamos avançando em representatividade. Me sinto honrada de representar tantas outras mulheres e feliz de ver tanta mulher compondo”, diz a cantora.
Tay Galega soma mais de 500 mil fãs nas redes sociais e retorna a Belém na divulgação do EP “Respeito e União”, o primeiro de sua carreira solo, com músicas que seguem a linha reggae e pop e são fortemente influenciadas por artistas como Armandinho, Natiruts e Ivo Mozart. A produção do EP foi realizada por Marco Lafico, que já trabalhou com artistas como Seu Jorge, Fresno, Jorge Aragão, RPM, entre tantos outros grandes nomes da música brasileira.
“Para mim como artista é importante voltar pra Belém, cidade que gostei demais. Vou aproveitar essa viagem para conhecer os músicos de Belém e sugar a cultura da cidade, para agregar a mim como artista. O show é importante para mostrar esse trabalho que fala sobre minha vivência e meu cotidiano”, explica a cantora.
Com mais de seis milhões de views no Youtube apenas com canções autorais em formato voz e violão, a cantora Ana Muller mostra no Fiteiro o seu primeiro trabalho de estúdio. O EP anônimo contém cinco canções divididas entre inéditas e outras bastante reconhecidas pelo fiel público da artista. Criada ao som do rock brasileiro oitentista e da explosão da MPB nos anos 1960 e 1970, Ana Muller é uma filha da geração YouTube. Começou despretensiosamente a postar suas músicas e viu muita gente se identificar e compartilhar seus momentos emocionais em tempo real.
“Eu crio as melhores expectativas de um show porque é sempre um momento lindo entre artista e público, momento de cantar junto e estar perto. Belém pediu muito, eu sempre quis muito, então será lindo por tanta vontade envolvida”, comemora.
Ana Muller é natural de Ibatiba, Espírito Santo, e compõe desde criança. É ex-vocalista da banda Aurora, uma dos grupos vencedores da 5º edição de um dos festivais mais importantes de música independente capixaba, o Festival Prato da Casa. Desde 2015 se apresenta solo em shows pelo Brasil somente cantando músicas autorais, e em 2017 lança seu primeiro EP.
“Minha música são todas as histórias e ‘estórias’. As minhas, as das pessoas próximas, as de todo mundo, as de ninguém. Compor é criar e recontar histórias”, explica a compositora.
Coletivo Empodera mostra a voz feminina de Belém
Unidas por um propósito, as meninas do Coletivo Empodera estarão no palco como atração de abertura, mostrando o motivo de toda a união: a música. O projeto foi idealizado após a realização de um grande evento organizado apenas por mulheres e com atrações femininas da cidade de Belém. Formado pelas cantoras Nathalia Petta, Lívia Mendes, Nathália Lobato e Lari Xavier, o coletivo se une novamente para mostrar seus trabalhos autorais na voz, violão e violino, em duetos que prometem emocionar a platéia mostrando a boa música feita em terras paraenses e demonstrando toda a sororidade que o projeto busca transmitir.
“Todas nós temos lutado por espaço e para mostrar nossos trabalhos ao público. A internet é uma grande aliada nesse processo e poder dividir o palco com elas, que são fenômenos importantes desse meio, é sensacional. Elas, que são exemplos de mulheres autoras de suas carreiras e que usaram a internet para buscar espaço, é maravilhoso. A energia que vem de um evento como esse só nos motiva a continuar buscando e lutado pelos nossos espaços e, também, nos unindo”, diz Nathalia Petta.
(Diário do Pará)
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