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MÚSICA

Esquinas da Cabanagem viram palco para jovens

Em cada canto, existe uma oportunidade de mostrar o desenvolvimento musical de crianças da periferia de Belém. No bairro da Cabanagem, a ONG Cristo Redentor mantém cerca de 200 inscritos em oficinas de música, desenvolvidas em parceria com a Fundação Carl

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Em cada canto, existe uma oportunidade de mostrar o desenvolvimento musical de crianças da periferia de Belém. No bairro da Cabanagem, a ONG Cristo Redentor mantém cerca de 200 inscritos em oficinas de música, desenvolvidas em parceria com a Fundação Carlos Gomes (FCG). Raramente, no entanto, os meninos e meninas saíam da sala de aula para se apresentarem. Até que o estudante de jornalismo e comunicador popular Wellington Frazão decidiu fazer o “Música na Esquina”, no qual uma rua aleatória é escolhida e lá mesmo se monta o “palco”. Pelo projeto, os alunos se apresentam amanhã, às 10h, na Rua do Fio, esquina com a Rua da Paz, em frente à Igreja Espírito Santo, na Cabanagem.

Wellington explica que a iniciativa de sair de canto em canto começou em dezembro do ano passado, em articulação com o projeto “Periferia em Foco”, que reúne notícias positivas sobre a comunidade no Facebook, Instagram e Youtube, com o objetivo de mostrar a realidade das pessoas que moram lá - em contraposição às notícias sobre crimes e ao estereótipo de bairro violento.

“É um projeto de mídia alternativa que diz quem somos, e nos juntamos com a ONG que já atua há 40 anos na Cabanagem para mostrar os talentos das crianças, e não só delas, e nem só do nosso bairro, mas de toda a periferia da Grande Belém. Esta é a segunda apresentação que faremos e a nossa intenção é sair para tocar também nas esquinas do Jurunas, da Terra Fime, do Guamá”, explica Wellington Frazão.

(Foto: Maycon Nunes)

A FCG disponibiliza professores que ministram aulas duas vezes por semana na sede da ONG. São vários instrumentos: flauta, saxofone, trombone, trompete, bateria, clarinete, violão e violino. Os alunos iniciam com a flauta doce e após dois anos podem decidir qual instrumento têm mais afinidade para tocar.

Frazão comenta que os equipamentos foram adquiridos com verbas da própria ONG, com muito esforço. E mesmo não sendo professor de música, ele acredita que por meio da arte e da comunicação é possível realizar transformações sociais.

“Faço parte de projetos sociais para sair do virtual para o real, estarmos mais próximos da comunidade, construindo no dia a dia, fazendo de forma diferente. A gente quer ir para as ruas do bairro, não tem escolha certa. É um grande desafio, pois as ruas não têm saneamento básico, mas esse é o contraponto da história. E mesmo assim, jovens não se deixam curvar para não lutar por dias melhores”, enfatiza.

A princípio, ele diz que os alunos ficaram envergonhados, mas após receberem elogios de quem passava e dos vizinhos, se empolgaram com o projeto. “Aqui se ouve muito brega e MPB, não se tem o costume de ouvir música erudita. As pessoas estranharam, mas gostaram. Muitas ouviram pela primeira vez”, diz.

Conheça

Apresentação do projeto “Música na Esquina”
Quando: Amanhã, 10h
Onde: Rua do Fio, esquina com a Rua da Paz, em frente à Igreja Espírito Santo - Cabanagem

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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