Nem a chuva, nem a distância de alguns palcos, desanimaram os paraenses na “Virada Cultural”. Na madrugada de domingo, 21, Dona Onete, 77, a rainha do carimbó, entrou no palco principal do Parque Chácara do Jockey (muito longe do centro de São Paulo, que tradicionalmente abrigava o evento), sentou-se em uma poltrona branca e cantou “Coração Brechó”, atraindo o público, que estava nos palcos periféricos, para dançar o boi e carimbó.
Gaby Amarantos chegou de cocar com penas laranjas, maiô rosa, roupão amarelo ouro e botinha de vinil preta. Cantou “Ex-My Love” agachada, ao lado de Dona Onete, que balançava os ombros e mandava acenos para a plateia. Gaby levantou para cantar “Jamburana”, que em um momento teve o refrão de “treme-treme” mudado por “Fora, Temer” por um integrante da banda.
A rainha do carimbó se levantou na hora de cantar “No meio do Pitiú” e para tirar uma selfie para o seu Instagram. Dona Onete não deixou Gaby Amarantos sair do palco. Em discurso, as duas cantoras fizeram um agradecimento à diversidade e pediram respeito a todas as mulheres.
Houve pessoas que chegaram mais tarde ao Parque do Jockey, especialmente para o show de Dona Onete. A fotógrafa paulistana Adriana Souze, 31, acompanha quase todos os shows da rainha do carimbó, mas disse que preferia que o evento fosse no centro. Opinião parecida com a de Pedro Casseb, 38, professor de línguas. “No centro, a Virada tinha uma certa unidade. Daqui fica difícil ir para outro lugar “, disse.
CANCELADO
Mesma sorte não teve Fafá de Belém, cujo show programado para começar uma hora antes que o de Dona Onete, à 0h30, só que no Anhembi, foi cancelado. Segundo a produção da cantora, Fafá teve uma “leve indisposição por conta do frio”, mas a notícia que se espalhou foi que o motivo real era a falta de público. A reportagem da “Folha de S.Paulo” no local contou cerca de 50 pessoas no palco principal aguardando o show de Fafá.
“A voz dela não está legal para cantar, então a gente vai passar o show para amanhã [domingo]”, declarou o produtor Fabio Buitvidas. “A falta de público foi levada em conta, porque então não faria diferença passar para amanhã [domingo]. Como realmente não tinha muito público, aproveitou para mudar. Fazemos durante o dia, com o tempo melhor”, disse.
No domingo a paraense acabou fazendo só uma participação no show de Alcione. Elas fizeram um dueto em duas canções e animaram o público presente. Debaixo de chuva forte, o espetáculo durou cerca de 50 minutos e foi assistido por um público modesto, mas a Guarda Civil Metropolitana não soube estimar o número de presentes.
Jaloo se consagrou sob chuva
Sorte diferente teve Jaloo. Mesmo sob chuva, o paraense animou a plateia em frente ao histórico prédio Copan. Com seu ritmo eletrônico dançante, o paraense fez o público, que encheu a via, cantar, dançar e pular. Em “Insight”, a plateia cantava e levantava as mãos em uníssono para acompanhar o refrão.
Na metade do show, que durou pouco menos de uma hora, Jaloo avistou uma briga na plateia e parou a apresentação. “Aqui não vai rolar isso não, aqui é lugar de amor”, disse. Depois ironizou: “Cadê a segurança da produção maravilhosa desse festival?”, e gritou um “Cadê a polícia?”.
Ao fim, a chuva apertou, mas não desanimou o público, que criou uma nuvem de guardas-chuvas. Jaloo pediu licença para se jogar sobre o público (“posso ir aí?”) e cantarolou “água boa de beber” enquanto era encharcado e carregado pela plateia.
(FolhaPress)
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