Para escrever, não tem limite de faixa etária, avisa logo o cantor e compositor Moraes Moreira, fundador do grupo Novos Baianos, no título de seu livro de cordéis “Poeta não tem idade”. Ele lança a obra neste sábado, 3, às 20h, no Ponto do Autor, durante a XXI Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém. A entrada é gratuita. É a sua terceira publicação, mas o primeiro dedicado à forma de escrever típica dos nordestinos que aborda fatos cotidianos do sertão.
A propósito, o artista diz que o cordel tornou-se uma bandeira sua, e que não faz mais nenhum show em que também não faça uma declamação. Ele tem o prazer de ocupar a cadeira número 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Apesar de ser baiano, natural de Ituaçu, e de já ter familiaridade com a linguagem, só começou a escrever conforme os preceitos cordelísticos após os 50 anos.
“Eu vou fazer 70 anos no próximo dia 8 de julho. Então, quando tem um lance assim dessa coisa da idade, a gente vira poeta, que uma é coisa tão fora da ordem que até idade, nem pensa nisso, sou livre no tempo para viver. Essa é a mensagem. Eu já tinha isso guardado dentro de mim, mas se manifestou na idade madura, com mais de 50 anos começou a pipocar. Pra velhice só tem um jeito: tornar-se um, sábio. A poesia me ajuda a buscar isso”, diz.
E ele também se lançou nesse universo como uma forma de enaltecer a própria cultura. O que ele chama de “poesia popular brasileira” e diz ser um militante. “A gente vê esses folhetes na rua e pensa que não é nada, mas é de uma sofisticação incrível”, avalia, contando ainda que se encontrará com os cordelistas do Pará. “Já venho me envolvendo com literatura de cordel, foi o que me puxou para a poesia, e com rigores da contagem de sílaba, métrica, rima e oração. Faço poesia dentro disso. Faço décima, sétima, sextilha”, fala Moraes.
TEMAS
Nos seus escritos, versos sobre o Brasil, a cultura popular, a música, direitos humanos, e claro, a história do grupo musical e afetivo Novos Baianos, que nasceu na Bahia e perdurou de 1969 até 1979, tendo entre os integrantes também Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de cantor, e Luiz Galvão - sendo este último uma de suas maiores inspirações. Naturalmente, alguns de seus cordeis também têm muita relevância para ser musicado.
“Musico alguns, sim, eles já são musicais. É um panorama muito mais amplo e com a música popular que eu faço sempre fiz. Cordel é linguagem popular que comunica. Tenho um cordel de Direitos Humanos, todo mundo fala sobre isso, mas ninguém nunca leu a tal carta. E eu fiz o cordel, fica mais fácil. Faço tudo do jeito mais louco
possível”, revela, rindo.
POESIAS
Lançamento do livro “Poeta não tem idade”, de Moraes Moreira
Amanhã, 20h
Hangar - Centro de Feiras e Convenções da Amazônia (Av. Dr. Freitas, s/n - Marco)
Entrada gratuita
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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