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MÚSICA

Vitor Ramil faz show gratuito no Fimupa

Após sete anos, o cantor gaúcho Vitor Ramil está em fase de produção de um novo disco de inéditas, “Campos Neutrais” - nome inspirado no Tratado de Santo Ildefonso, assinado no ano de 1777 pelos reinos de Portugal e Espanha. Trata-se de uma obra na qual e

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Após sete anos, o cantor gaúcho Vitor Ramil está em fase de produção de um novo disco de inéditas, “Campos Neutrais” - nome inspirado no Tratado de Santo Ildefonso, assinado no ano de 1777 pelos reinos de Portugal e Espanha. Trata-se de uma obra na qual ele revela ter sido necessário o tempo para maturar o que ele desenvolve ao longo de sua carreira e que chama de “Estética do frio”. “Talvez seja o melhor exemplo das minhas buscas. Consegui realizar muitas coisas, uma linguagem particular minha, que incorpora a linguagem do Brasil e dos países da Bacia do Prata”, comenta.

Além disso, o seu tradicional violão milongueiro está reelaborado, não apenas como elemento preponderante nas canções, em termos de harmonia, mas como um violão contrapontístico típico dos países do sul, como a Argentina. As letras também tematizam as questões de onde o cantor e compositor reside, Porto Alegre, o seu centro. Ramil se sente maduro e acredita que a obra, quando lançada, não deixará brecha para contradições internas. Ele se apresenta hoje, às 22h30, no Palafita, em Belém, na programação do 30º Festival Internacional de Música do Pará (Fimupa). Em entrevista, o cantor conta que vai apresentar no show novas composições e outras que têm relação especial com Belém, como “Assim, Assim”.

Este show será o reencontro com o público paraense após anos. Como será?
Sinceramente ainda não sei o que vou tocar, gosto de decidir na última hora. Estou há bastante tempo sem ir e vou priorizar as canções que as pessoas gostam de ouvir aí, e cantar as que eu gosto no palco, e algo do disco novo. Certamente vou tocar “Assim, Assim”. Belém é o único lugar em que toco essa música e sempre acho prazeroso e divertido tocar e ver o público cantar junto.

Seus últimos discos foram realizados parcialmente com financiamento coletivo. Por que você recorreu a esse mecanismo? Como foi a experiência com o público também?
São projetos bem mais caros e esse apoio é super importante, ajuda em parte nos custos totais do projeto. O que acho mais incrível nisso, por isso repeti a experiência, é porque o público se mobiliza de forma fantástica, rola uma grande aproximação e sou desafiado a mostrar coisas no estúdio, processo de gravação, é um desafio e um prazer, pois me comunico, escrevo, recebo mensagens. É como se o espírito do disco chegasse antes para as pessoas. Vejo como uma forma de o público deixar de ser meramente consumidor passivo para ser agente da produção. É importante esse espírito de autodeterminação, solidariedade e união. Nada mais importante que isso nos dias de hoje, você não acha? A campanha dos ‘Campos Neutrais’ está indo superbem. Já estamos com quase 100% da meta atingida e é importante superar, pois os custos do disco vão além dessa meta.

Será seu primeiro disco gravado em Porto Alegre. O que isso representa?
Há muito tempo gostaria de gravar um disco em Porto Alegre e agora foi construído um estúdio, incrível, muito bom, com uma sala espetacular, e pude realizar esse desejo de gravar aqui na minha terra. Sou de Pelotas, mas Porto Alegre é minha cidade principal de trabalho. E tinha vontade de trazer artistas, músicos, para gravar aqui comigo, de certa forma centralizar o trabalho do disco aqui. Tem um significado forte para mim, que penso o Sul não à margem do centro, mas no centro de uma outra história. E isso é muito simbólico. Além do fato que estou em casa, é menos cansativo e mais prazeroso esse processo todo.

Foram sete anos sem apresentar inéditas. Como foi esse tempo?
Esse tempo todo só transcorreu porque nesse meio tempo escrevi um livro e lancei um disco duplo, que reúne 32 releituras de músicas minhas, foi muito trabalhoso. Acho bom que se transcorra esse período e que se solidifique o repertório. Gosto de a cada disco trazer uma experiência, então, a passagem do tempo me permite aprofundamento de uma série de questões, artísticas. O “Campos Neutrais” talvez seja o mais consistente. É muito forte em todos os aspectos, tanto composicional quanto de letra e os arranjos, a própria produção, como foi realizada. É bastante original e não poderia ter feito às pressas.

Você disse que tem músicas relacionadas a Belém, quais são?
Tenho duas músicas fortemente ligadas a Belém. Uma é um poema do Joãozinho Gomes. Quando estive com ele em Macapá, recentemente, me deu dois poemas para musicar. E fiz, num deles, o “Contraposto”, que quem canta comigo é o Zeca Baleiro, uma música inspirada na música popular do Norte, quero crer que sim, nos tambores, especialmente os de Macapá, os marabaixos. E tem também a música “Ana”, que é uma versão de “Sara”, do Bob Dylan, em que vou falando uma série de coisas. A Ana é minha mulher, e numa passagem, cito Belém do Pará. Tem que ouvir a letra para saber.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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