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MÚSICA

Crítica: “Melodrama” é o maior álbum millennial que você respeita

“Melodrama”, novo disco da neozelandesa Lorde, tem tudo para ser a confirmação da jovem cantora. A sequência do surpreendente “Pure Heroine” (2013) é um trabalho que, basicamente, sintetiza os dramas de millenials. O adjetivo geracional virou um termo gua

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“Melodrama”, novo disco da neozelandesa Lorde, tem tudo para ser a confirmação da jovem cantora. A sequência do surpreendente “Pure Heroine” (2013) é um trabalho que, basicamente, sintetiza os dramas de millenials.

O adjetivo geracional virou um termo guarda-chuva. Debaixo dele, cabem características profissionais, pessoais, afetivas e, pasmem, sexuais. E, de certa forma, vemos isso na curta (mas impactante) carreira de Lorde.

Se em “Royals”, canção vencedora do Grammy de 2014, a neozelandesa mostrava uma inquietação em relação à sociedade — preocupada com símbolos de status —, ela volta com preocupações mais individualistas, quase reflexões sobre a condição humana de sua juventude.

“Sober”, segundo single de trabalho, é um hino dos romances de boates, regados a álcool e a expectativas. “O que faremos quando estivermos sóbrios?”, Lorde pergunta, mas não responde. A música, segundo a própria cantora, começou a surgir no banco de trás de um Uber. Nada mais millennial!

Essa Lorde “vida loka”, festeira, tentando entender como as relações de afeto se constroem em meio a baladas e drinques, fica evidente em “Homemade Dynamite” (melhor música de “Melodrama”) e “Green Light”. Mas nem tudo é bom, há um mundo de decepções melodramáticas em “Liability” e “Hard Feelings/Loveless”.

Música
Um bom disco se faz de letras e musicalidade. Nesse ponto, “Melodrama” é igualmente millennial (sim, vou defender essa tese até o fim). Lorde se mantém afastada do pop óbvio (nem por isso ruim) das divas radiofônicas.

Essa distância, no entanto, é segura. Trata-se de um som alternativo, mas perfeitamente palatável, possível de tocar nas rádios e pistas descoladas. Obviamente, sem afastar o público mainstreaming. Lorde é diferentona na medida de uma geração que deseja se inovar e se diferenciar sempre dentro de um espaço seguro.

Lorde voltou em grande forma. Ainda bem: a gente agradece.

Fonte: Metropoles

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