A marcação acelerada, de até 220 batidas por minuto, foi o que proporcionou ao ritmo tradicional do brega a mudança de sonoridade ali pelos idos dos anos 2000, com as descobertas do manuseio de softwares de edição de música. O DJ Waldo Squash, um dos fundadores da banda Gang do Eletro, ao lado de David Sampler e Joe Benassi, criadores do eletromelody, foram alguns nomes importantes nessa alteração estética na música paraense. Agora, eles se juntaram novamente para continuar inventando sons e com uma proposta maior: expandir o tecnobrega, em suas variadas vertentes, para todo o Brasil. “E para o mundo também”, adianta sua pretensão o Dj Waldo Squash.
É o projeto “Reis do Eletro”, que começa a ser materializado com a gravação de um DVD, neste sábado, no Maui Sunset, em Belém, com a participação de Harrisson Lemos, DJ Maluquinho, Suanny Batidão, Júnior Rêgo, Sammliz, Leo Chermont e Tony Brasil, além dos DJs da Meachuta e das carretinhas automotivas da capital paraense. Esta é a primeira etapa do projeto, contemplado com o Edital Natura Musical - Pará, que terá ainda uma escola de tecnobrega para a formação de novos músicos e DJs, e outras parcerias, como o FabLab, para a criação de plataformas para a criação na área - o que está em fase de negociação.
“Queremos dar continuidade a esse processo da música eletrônica paraense. A gente se reuniu, a base é a galera que faz eletromelody, e vamos apresentar tanto músicas conhecidas já, como ‘Rubi’, mantida a harmonia, mas com novos arranjos, reformuladas. Também chamamos dois artistas que, para nós, são do circuito alternativo, o Léo Chermont, da banda Strobo, e a cantora Sammliz. Tem um conceito em cima disso tudo, que é contribuir cada vez mais nesse cenário”, explica Waldo Squash.
O grupo também está fechando parceria com a Deck Disc para a distribuição do conteúdo que será produzido. Por isso, o DVD está sendo realizado com toda a minúcia de uma superprodução, com direção de Vladimir Cunha - diretor do documentário “Brega S/A” (2008) -, que roteirizou o show. Uma pista exclusiva será dedicada aos casais, que ficarão se revezando enquanto os artistas se apresentam. As “galeras” também terão espaço reservado. Aliás, as bandeiras desses grupos de fãs que fazem festas com som automotivo estarão estendidas no local - para simbolizar a força da integração com o público, fundamental para que o movimento do tecnobrega crescesse.
“Vai ser o ‘coliseu’ das equipes”, comenta Waldo Squash, que complementa: “À medida que a tecnologia evolui, a gente evolui também. Primeiro, não tínhamos qualidade boa, porque eram poucos recursos e hoje podemos fazer um som bem melhor. Com isso, vamos apresentar para o Brasil as músicas já conhecidas aqui, mas que lá fora ninguém nunca ouviu, essa é a ideia. E também com músicas do David Sampler, da banda Tecnomachine, do Joe, coisas boas do eletro, e sempre misturando, para fazer um disco rico de várias coisas verdadeiras. É um DVD que tem essa verdade”, diz.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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