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MÚSICA

Cantores fazem temporada de show intimista

Foi num almoço descontraído que o cantor e compositor paraense Arthur Espíndola conheceu o sambista carioca Dudu Nobre, aqui mesmo em Belém. A ocasião, claro, serviu para uma longa conversa musical. E sobre futuras parcerias. Além disso, no dia do show do

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Foi num almoço descontraído que o cantor e compositor paraense Arthur Espíndola conheceu o sambista carioca Dudu Nobre, aqui mesmo em Belém. A ocasião, claro, serviu para uma longa conversa musical. E sobre futuras parcerias. Além disso, no dia do show do cantor do Rio de Janeiro, Arthur foi surpreendido com um convite para dividir o palco e cantar algumas músicas. E depois, um novo convite: “me procure depois do carnaval”. Assim Arthur fez e viajou até a capital fluminense, onde iniciou uma série de atividades com Dudu, de idas a programas de televisão a shows e rodas de samba.

Dos diálogos e andanças, surgiu mais um projeto, desta vez para a capital paraense. É o show “O Samba do Brasil de Norte a Sul”, que será apresentado pela dupla amanhã e no dia 6 de julho, no Theatro da Paz - escolhido justamente para comportar uma nova maneira de apresentar samba: de forma mais intimista, com oportunidade de o público contemplar um bate-papo sobre o gênero musical e as diferenças e semelhanças do ritmo. Para isso, a banda será reduzida a apenas quatro músicos: um violonista, dois percussionistas e um pianista.

“A ideia é fazer um show diferente mesmo, para que as pessoas se sintam na sala de casa, como uma reunião de amigos, ouvindo o samba que a gente gosta. É para a gente conversar, contar histórias das músicas, curiosidades de como foram feitas, como algumas canções surgiram e foram gravadas, coisas de bastidores. Vai ser uma aula de samba e bate-papo musical, claro, com muita música. Também queremos interagir com o público. Vai ser repertório variado, do samba, da nossa carreira e inéditas também, em primeira mão, com muitas surpresas”, adianta Arthur.

O cantor também conta que o show pontuará os tipos de sambas no Brasil, já que Dudu é mais ligado ao partido alto, comum no Rio de Janeiro, bem popular e mais agitado, enquanto Arthur tem outros de tom mais introspectivo. “Chegou a hora de mostrar esse nosso lado, falar da nossa sonoridade”, diz Arthur Espíndola. “Quero também inaugurar uma nova forma de apresentar o meu trabalho, o que venho realizando”, diz o paraense.

De Norte a Sul

O título do show, “O Samba do Brasil de Norte a Sul”, ilustra bem a proposta e reporta não só à parceria entre Arthur e Dudu, mas também ao movimento do samba no país. “Agora é uma forma de registrar isso aqui em Belém, que tem esse sotaque amazônico, tem a mistura, que já é natural do samba, de origem africana, mas genuinamente brasileiro, com a nossa miscigenação. Onde menos a gente imagina, tem samba muito bom sendo feito, com diferentes temáticas e assuntos. e influências de ritmos”, comenta Arthur.

Ele pontua, por exemplo, que no Rio os sambas falam do morro, do cotidiano das comunidades, das escolas de samba, da religiosidade, da vida. Já no Rio Grande do Sul, ele cita Lupicínio Rodrigues, que colocava suas influências do tango. “Assim como Adoniran Barbosa fala de São Paulo de forma cosmopolita. Na Bahia, os sambas de roda falam do recôncavo e são colocados outros instrumentos de percussão, assim como no Pará. A Amazônia tem sua linguagem. É muita história para contar”.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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