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MÚSICA

Roqueiros de coração se dividem entre diferentes projetos e inspirações

Com muita coisa boa na cabeça e a tecnologia a favor, alguns músicos em Belém têm conseguido dar vazão a diferentes sonoridades através de diversas parcerias e projetos. Um caso mais recente: Repelente Tubarão. A recém-formada banda surgiu da vontade anti

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Com muita coisa boa na cabeça e a tecnologia a favor, alguns músicos em Belém têm conseguido dar vazão a diferentes sonoridades através de diversas parcerias e projetos. Um caso mais recente: Repelente Tubarão. A recém-formada banda surgiu da vontade antiga do músico Andro Baudelaire – conhecido por encabeçar as bandas Vinyl Laranja e The Baudelaires – de montar um projeto dedicado a surf music. Junto com ele, mais dois artistas igualmente com projetos paralelos – Arthur Sequeira, do Projeto Secreto dos Macacos, e César Lima, da Piscadela Verde.

“A própria internet possibilitou à banda acontecer rápido. Fiz um post perguntando por pessoas interessadas e rápido apareceu muita gente. Fui olhando umas pessoas e falei com duas que já conhecia, mas de quem não era muito próximo. Batemos papo, ensaiamos, vieram no estúdio e gravamos um EP (homônimo) com quatro músicas”, conta Andro. “Eu já tinha a ideia há algum tempo. Uma noite sentei aqui com a guitarra e começaram a vir algumas músicas. No ensaio com a banda a gente já fez outras. Tem até algumas novas autorais”, completa.

A banda lançou o álbum ontem, no Black Dog, mas essa está longe de ser a única coisa na agenda do músico. Há pouco mais de um mês, Andro lançou seu segundo disco solo em menos de um ano, o “Egrégora”, com direito a videoclipe e show de estreia. “Eu lancei o ‘Sampleando Tchaikovsky’ (primeiro álbum solo) ano passado, fiz só alguns shows e já tinha muita música. Quando veio um baterista gravar aqui no estúdio pro álbum do [cantor e compositor Leonardo] Pratagy, curti e pedi pra ele gravar bateria de um novo. Assim acabou rolando bem rápido”, conta.

No show, Andro faz uso de um formato bem simples: voz, gaita, bumbo e guitarra. “Vou tentar tocar mais com esse projeto, mas precisa de ocasiões próprias para esse formato. Tem que ter hora certa”, diz ele. E enquanto um projeto e outro vão esperando pela oportunidade certa, outros seguem caminhando em paralelo. Com a The Baudelaires, Andro está finalizando um novo disco, previsto para outubro. Com a Vinyl Laranja, acaba de voltar de Goiânia, onde estava gravando disco novo também. “Esse já está em processo de mixagem. No segundo semestre lançaremos clipe com um single e o disco, só no ano que vem”, avisa.

Abbey Monsters fervendo de novidades

Pelo próprio estúdio, o Abbey Monsters, Andro Baudelaire comemora ainda o lançamento recente de quatro projetos: o primeiro EP do Repelente Tubarão e os dos artistas Nathália Lobato, que assina com a alcunha Versos Polaris (“As Músicas da Nath”), Loc Di Plastik (“Plastikzônia”) e Youth Veins (“In-Between”). Ele conta que ainda vem por aí um do O Cinza – banda de rock alternativo formada por Malu Guedelha, Anthony Carvalho, Leonardo Castro, Pedro Imbiriba e Davi Correa – e o do Enfim Nós.

Como produtor, o músico iniciou em Belém o projeto “Sing Songwriter” – com shows solos de trabalhos autorais e alternativos de artistas paraenses. Em uma edição, teve a oportunidade de convidar a cantora Marisa Brito e desde então os dois têm acalentado mais um projeto paralelo, o duo A Redoma. Um projeto à distância, já que ela mora em São Paulo. “Ela vem em agosto para lançar projeto solo e a gente vai aproveitar para gravar”, conta Andro. Com sonoridade bem MPB e pop, por enquanto é possível conferir um vídeo da dupla cantando “Não Venda Minhas Coisas”, uma das canções da parceria.

Marcelo Kahwage se divide entre The Baudelaires, Dharma Burns e incursões solo pelos bares (Foto: Divulgação)

Questão de expandir e organizar

Parceiro de Andro no The Baudelaires, Marcelo Kahwage é outro músico que entende bem desse interesse em dar vazão a quantas sonoridades surgirem. Ele próprio se divide entre a The Baudelaires – formada ainda por Marcelo Damaso e Bruno Oliveira – e a Dharma Burns, em que reuniu seus amigos que tinham influências musicais como powerpop, rock dos anos 1960 e 1970, britpop e indie rock. Entre esses amigos, Bruno Rafael, Antônio Bomber, Fuad Farah e, veja só, mais uma vez Bruno Oliveira. “Nosso horizonte musical vai expandindo quando surgem projetos diferentes do que a gente já vinha fazendo”, diz Kahwage, que ainda toca na noite como uma “segunda ocupação”.

“Quando faço uma música, geralmente não penso antes. Componho e depois tento encaixar. Não basta só compor, tem que saber direcionar. Eu tenho me dedicado igualmente ao Dharma, que tocou recentemente no Ziggy, e à Baudelaires, que está ensaiando e gravando álbum novo. Acho que a internet, a tecnologia e o método de gravação mais fácil contribuíram para que uma pessoa tenha vários projetos diferentes”, considera.

E para além de novas experiências sonoras e liberdade para compor, ele destaca que a relação com cada banda é diferente. “São pessoas diferentes, existem particularidades que te agradam em cada uma, tem aquilo tu podes fazer em uma e que não podes fazer em outra...”, completa.

Para Andro, tudo é uma questão de ir se organizando, só não dá para parar. “Se ficar parado, a gente fica maluco (risos). Fazendo tudo com cuidado dá para organizar todos eles. Eu gosto de fazer música, amo, então se torna bem natural. O primeiro projeto que tive foi a Vinyl, eu era muito novo e tinha várias músicas que não se encaixavam nela, então montei a The Baudelaires. Mas já tinha nessa época várias músicas que foram para o primeiro trabalho solo só agora. A ‘Repelente’ veio da vontade de fazer algo para tocar pela cidade. Com a Marisa Brito (A Redoma) simplesmente aconteceu. Parece que tem tanta coisa a ser feita que não cabe num lugar só”.

João Lemos e o Molho Negro, um de seus seis projetos musicais (Foto: Júlia Rodrigues/Divulgação)

Compromisso com tudo que estimula

Outro nome bem comum de se encontrar em diferentes projetos, João Lemos compartilha com Andro e Kahwage a opinião de que “às vezes é um pouco corrido para conciliar, sim, mas com uma certa organização tem como se comprometer com tudo”.

No momento, todos os esforços do músico estão focados principalmente na banda Molho Negro (com Augusto Oliveira e Raony Pinheiro), com a qual viajou para uma longa temporada em São Paulo. Mas ele também toca bateria no Blocked Bones (duo com Fill Alencar) e guitarra no Meio Amargo (com Lucas Padilha, Manuel Malvar e Netto), que no momento são os projetos dos quais participa mais ativamente. Fora isso, toca com as cantoras Sammliz e Ana Clara. Sem contar com seu projeto solo, o Thunderjonez.

“Muitos casos foram convites que eu recebi e resolvi participar porque gostava da proposta ou do artista, mas no caso do Thunderjonez, por exemplo, que é meu projeto ‘solo’, eu queria experimentar outras sonoridades e principalmente o fato de compor, produzir e gravar tudo sozinho”, reflete João.

Além disso, para ele, cada convite é um retorno positivo. “É um sinal de apreciação do trabalho que você faz e de uma credibilidade que as pessoas lhe entregam também. Sem contar que trabalhar com diferentes artistas sempre me ajuda muito a expandir meus horizontes e adquirir conhecimento”, considera.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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