Roqueiros e amantes do rock paraense já começaram a se mobilizar para a retomada do festival “Rock Solidário”, realizado desde 2005 com o intuito de arrecadar alimentos para ajudar instituições filantrópicas da cidade. Mas, neste momento, são eles quem precisam de ajuda para que o projeto saia da gaveta depois de um hiato de oito anos.
“O evento é voluntário, então não tem bilheteria para bancar os custos, como a taxa do teatro, água, os técnicos de som e luz, cartazes e outras despesas”, explica Marcus Braga, músico e idealizador do evento.
A proposta da organização é que empresas, lojas e outros possíveis apoiadores também se solidarizem com a causa em troca de publicidade durante a divulgação do evento e sua realização, marcada para o dia 5 de agosto, no Teatro Gasômetro. “O ‘Rock Solidário’ é um esforço coletivo, desde os músicos, equipe técnica, e apoiadores/patrocinadores”, reforça Marcus.
Este ano, oito atrações já estão confirmadas para fazer um som e arrecadar doações, entre elas, Delinquentes e D.N.A, todas abrindo mão do cachê e ajudando na divulgação do evento. “Essa foi a natureza do ‘Rock Solidário’ desde o início e sempre teve uma repercussão legal. Estamos com o casting fechado e já tem uma fila de bandas para as próximas edições, porque teve muitas bandas pedindo para participar na fanpage do projeto”, conta Marcus, que além de realizador, integra a banda O Corsário e se apresenta com ela no evento.
Banda Delinquentes (Foto: Christian Braga/Divulgação)
MISSÃO SOCIAL
A ideia de ajudar e criar o “Rock Solidário”, conta Marcus Braga, surgiu junto com o irmão, e também músico, Elton Braga. “Meu pai tem entidade filantrópica, sempre foi envolvido com isso. Em 2005, nós pensamos que era a hora da gente pegar nosso braço musical e dar uma contribuição. Pegamos como gancho o Dia Mundial do Voluntariado Jovem, que tinha como uma das diretrizes ajudar a diminuir a fome no mundo”.
Desde lá, muitos músicos se tornaram parceiros do projeto, como os integrantes da banda DNA, conhecida no circuito heavy metal da cidade e que fez questão de participar dessa retomada do “Rock Solidário”. “A gente já participou em duas outras edições. Acho que, como músico, artista, assim como todo cidadão, a gente tem responsabilidade social. E se você pode, com o dom dado por Deus de tocar, ajudar pessoas que precisam, faz todo sentido. O que mais falta hoje no mundo é empatia e o rock sempre foi empático com quem necessita. A origem do rock está em pessoas humildes, em quem veio de baixo”, afirma Sidney KC, baixista da D.N.A.
O vocalista dos Delinquentes, Jayme Katarro, também reforça a importância do evento e a qualidade com que é realizado. “Eu acho muito bacana que, além de proporcionar um festival de boa qualidade em som e iluminação para a galera que curte rock, metal, ainda tenha esse caráter filantrópico. E eu sinto falta um pouco do hardcore em eventos assim”, diz Jayme, lembrando que será o primeiro show do Delinquentes em 2017, já que eles tinham decidido ficar um tempo fora dos palcos para se dedicar a compor músicas novas para o próximo disco.
A programação ainda conta com as bandas de heavy metal Soledad, Mitra e Divine Sign, além da power metal Foreword e da Orquestra de Violoncelos da Amazônia (OVA), que tocará pela primeira vez no festival, mas já tinha sua participação articulada desde 2009. “Demorou, mas na saída desse hiato eu procurei por eles e finalmente vão estrear”, diz Marcus, adiantando que o evento ainda terá a participação especial de Roosevelt Bala, vocalista da banda Zona Rural e da antiga banda Stress.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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