Prestes a completar, em 2018, 40 anos juntos, os integrantes do grupo Boca Livre são amigos de longa data e creditam à amizade o fato de ainda tocarem e se apresentarem constantemente, mesmo com as formações diversificadas ao longo dessas quatro décadas. O primeiro disco, lançado em 1979, já mostrava essa união, com referências musicais escolhidas de forma conjunta, cada um dando seu pitaco. E talvez esse tenha sido o prenúncio da longeva carreira. Zé Renato (vocal e violão), David Tygel (viola e vocal), Lourenço Baeta (flautas, violão e vocal) e Maurício Maestro apresentam-se hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém. E trazem muitas histórias a contar e a cantar.
“A caminhada tem sido muito compensadora. A gente tem uma amizade de muito tempo e isso vai fazendo com que a gente supere as dificuldades. Isso fortaleceu o grupo, tanto pessoal quanto profissionalmente. E tem valido a pena tudo isso”, comemora Zé Renato. “Nós somos todos muito amigos. Tem muita amizade e a discussão termina bem, de forma positiva. E isso não quer dizer que existem somente concordâncias. Cada um dá a sua ideia, não tem um diretor único, isso fazemos juntos, escolhemos o repertório, as músicas, e funciona muito bem”, completa David Tygel.
Uma caminhada tão longeva juntos se deve também ao fato de estar em grupo ser uma opção, não uma obrigação. “O grupo nunca impediu que tivéssemos nossas carreiras. Eu sou professor de música para cinema, faço também trilhas, músicas. Os outros também. Talvez isso tenha sido fundamental para que a gente seguisse no Boca Livre”, comenta David Tygel. “Essa é uma forma que a gente encontrou de não pressionar muito o grupo, não querer que o grupo absorva todas as ideias de todos. Somos quatro compositores e o grupo aprendeu a conviver com o fato de que cada um tem o seu trabalho”, diz Zé Renato
Belém tem lugar de carinho nessa história
Na capital paraense, além dos sucessos como “Toada”, “Mistérios” e “Quem Tem a Viola” - clássicos das rodas de violão país afora -, eles também incluíram no repertório “Caravana” (Geraldo Azevedo), “Correnteza” (Tom Jobim e Luiz Bonfá), “Paixão e Fé” (Tavinho Moura e Fernando Brant) e a grande novidade é “Amor de Índio”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, e “Vida da Minha Vida”, de Moacyr Luz e Sereno, famosa na voz de Zeca Pagodinho, que estarão em um próximo disco, ainda sem data.
David Tygel também adianta que, durante a apresentação, que agora não é só musical, há tempo de conversar com o público, contar histórias e lembranças. “Eu sou o que mais fala, falo mal de todo mundo”, diz, rindo. “Na verdade é uma grande brincadeira, um momento de olhar para trás, para essa nossa trajetória, de quando ficávamos todos em só um quarto de hotel, depois dois em cada, e finalmente um para cada quarto. E também isso de estamos sozinhos e juntos, nesses anos todos”, pontua David Tygel.
Nessa trajetória, voltar à capital paraense tem um sabor especial. “Belém é uma cidade importantíssima. Um dos primeiros shows que o Boca Livre fez foi em Belém, pelo projeto ‘Pixinguinha’, com o Edu Lobo, quando nem tínhamos disco ainda. Fomos muito bem recebidos. Desde essa época, sempre que vamos a Belém a gente tem uma boa receptividade”, comemora Zé Renato.
DISCOS
Desde 2006, o grupo retomou essa formação clássica, com Lourenço Baeta no lugar de Cláudio Nucci, e o grupo gravou “Bicicleta” (1980), e depois “Folia” (1982) e “Boca Livre” (1983), com a versão de “Panis et Circenses”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, menos psicodélica e sem distorções nas cordas. Em 1995, veio “Americana”.
Nos últimos anos, todas as obras foram relançamentos e regravações, como “Boca Livre 20 Anos” (1998), o encontro “Boca Livre e 14 Bis – Ao Vivo” (1998) e ainda o registro de show “Boca Livre & Ao Vivo”, de 2007 (DVD/CD) com convidados. Somente em 2013, eles lançaram outro disco de composições garimpadas pelo grupo, justamente em homenagem à própria história. Não à toa se chama “Amizade”.
Assista
Show Boca Livre
Quando: Hoje e sexta-feira, às 21h
Onde: Theatro Margarida Schivasappa (Av. Gentil Bittencourt, 650 - Nazaré)
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$30 (meia), à venda na bilheteria do teatro, loja Ná Figueredo do Estação das Docas, Loja Fox Vídeo (Tv. Dr.Moraes, 584, Batista Campos)
Informações: (91) 98399-7214
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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