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MÚSICA

Cantora sergipana Héloa apresenta show em que revela suas habilidades artísticas

Com voz aconchegante e ritmo afinado, a cantora sergipana Héloa, de 28 anos, aposta no processo artístico e na imersão em diversas linguagens para fazer seu trabalho. Seu primeiro disco, “Eu” (2015), é o resultado desse percurso que inclui além do canto,

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Com voz aconchegante e ritmo afinado, a cantora sergipana Héloa, de 28 anos, aposta no processo artístico e na imersão em diversas linguagens para fazer seu trabalho. Seu primeiro disco, “Eu” (2015), é o resultado desse percurso que inclui além do canto, proposta para fotografia, dança e perfomance - ela diz que não sabe pensar apenas na canção e que busca de forma integrada aliar suas habilidades. Em Belém para uma temporada de experiências, ela apresenta-se amanhã (10), às 19h, no Sesc Boulevard, em Belém, com participação de Sammliz.

“Desde muito nova comecei a estudar teatro e logo já estava viajando como atriz de espetáculos infantis, fiz teatro de rua e musicais, e sempre as pessoas pediam para cantar. E com isso, veio o estudo de canto. Fiz canto lírico por quatro anos. Também fui bailarina de dança contemporânea, fiz ginástica. E desde nova já sabia que queria fazer algo relacionado à cultura e por isso escolhi fazer faculdade de artes visuais, para ter uma visão mais ampla e conheci a performance, e fotografia, a xilogravura. O meu trabalho musical vem disso e passeia por diversos estilos. E no placo isso tudo se junta, eu sou a unidade”, explica.

Héloa mora em São Paulo há dois anos e por lá conheceu uma leva de paraenses: Léo Chermont, Aíla, Felipe Cordeiro, Luê - que fez até participação em duas faixas do disco de estreia, “Se você disser que vem” e “Meus amigos”. Na capital paraense, ela está hospedada na casa de Natália Matos, que já recebeu artistas de outros locais como o francês Nicola Són e Chico Salém. Além de passear pelos principais pontos turísticos, o objetivo da cantora é conhecer melhor o clima musical da cidade.

“Meu pai é pesquisador de ritmos folclóricos e músico independente. Gosto de cultura popular, cresci com isso. E sempre que se ouve falar desse assunto, fala-se dos Estados como Bahia, Pernambuco, Pará. Como já conhecia alguns artistas, tinha muita vontade de conhecer a cidade. Primeiro conheci o Léo e o produtor Miranda, que me falavam muito daqui, me deu vontade de realizar essa troca. Sou uma artista e sou a minha própria ferramenta”, diz a cantora. Na próxima sexta-feira (11), ela participa do show de Natália Matos em São Paulo, apresentando uma faixa do seu álbum.

“É um disco assim, de quem se jogou na estrada”, resume a cantora Héloa

Antes de lançar o primeiro disco, Héloa lançou o EP “Solta”, com cinco faixas, que já demonstrava essa intersecção com outras culturas e linguagens artísticas. Tem até um carimbó estilizado: a faixa intitulada “Sai desse corpo”. As letras falam de ruptura, de amor, das relações. Opção que ela manteve em “Eu”, porém, acrescentando sobretudo a experiência do deslocamento do Nordeste para o Sudeste e um certo estranhamento quanto à velocidade das coisas, o novo ritmo da vida.

A única canção autoral do disco, que ela mesmo compôs, é “Avenida”, e traz os versos: “A avenida e esses carros que transitam entre sinais / A minha vida e um coração em busca de um cais / A mil léguas você ficou longe de mim / Mas eu trouxe um pedaço, no peito, de amor, que não tem mais fim”. “É isso, esse fluxo acelerado, esse estranhamento dessa cidade. A busca por um cais e a tranquilidade em meio ao caos. O coração saudoso de amor”, revela.

As regravações de “Crua”, do pernambucano Otto, e “Caravana”, do também pernambucano Geraldo Azevedo, compõe também o disco com esse tom memorial e afetivo. “Quis colocar canções sobre o momento que eu estava passando em São Paulo e essas duas retratam esse movimento de pessoas que saíram de sua cidade e vivem esse processo das novas relações, da solidão, é uma reflexão sobre a vida em movimento, a memória afetiva do nosso lugar. Escolhi composições que me agregaram. Caravana é sobre estar na estrada. É digo que esse disco é um disco assim, de quem se jogou na estrada. São vários eus que encontro Brasil afora”, comenta Héloa.

Neste segundo semestre, depois de Belém, ela passará ainda por Recife e Rio de Janeiro para circular com o disco e para conhecer seu público. Ela também está produzindo um documentário sobre a própria carreira, que falará sobre essa breve trajetória, com direção dela mesma. É mais uma incursão, desta vez no cinema -que ela pretende desvendar cada vez mais. Além disso, Héloa tem se juntando ao movimento de mulheres negras para falar sobre empoderamento e carreira artística, sobre como gerir a própria obra e negócios

CONHEÇA

Show “Eu”, com cantora Héloa (SE)
Quando: Quinta, 19h
Onde: Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523 - Campina)
Quanto: Gratuito
Informações: (91) 3224-5654

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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