Vai ser no improviso. O cantor Carlinhos Carneiro, vocalista da banda gaúcha Bidê ou Balde apresenta hoje, no Ziggy Hostel Club, um show diferente do que tem feito esses anos todos com o grupo, mas coerente com sua veia roqueira. É que ele foi convidado para tocar um set como DJ em Belém, mas recebeu junto o desafio de fazer uma apresentação também - já que a banda está “de férias”. O tempo de parada teve tudo, menos descanso, e ele aproveitou para dar vazão a outros projetos com bandas diferentes e ainda lançou dois livros. É uma misturada dessa trajetória que Carlinhos apresentará ao público.
No repertório, que será executado ao lado de Marcelo Damaso (The Baudelaires) e Camilo Royale (Turbo), estarão algumas composições do gaúcho, algumas versões da Bidê, além de versões também de músicas de bandas como Flaming Lips, que ele gosta. “Haverá algumas coisas que vamos inventar na hora, ainda não sei, depende de quando a gente se encontrar. Para mim, é algo inédito ainda”, adianta. Amanhã, ele participa da festa “Roquerági” como DJ, no mesmo local. Confira uma conversa divertida que ele concedeu ao TDB sobre essa passagem pela cidade:
Como será esse show em Belém? Já tens algumas passagens por aqui, um público pela Bidê ou Balde...
Tocamos duas vezes em Belém e agora o Marcelo Damaso, que primeiro me chamou para tocar um som na festa no sábado, perguntou se eu não queria fazer mais algumas coisas, e propôs um show voz e violão. Toco pouco, toco para compor e depois deixo na mão dos outros, mas pensei e aceitei. Convidei o Camilo, do Turbo, para me acompanhar e formatamos um show inédito, nunca fiz nada parecido. Nem sabemos como vai ser necesariamente, vamos descobrir quando eu chegar aí. Estamos vendo o que sabemos cantar e tocar, coisas que eu pegue a letra rápido, e coisas da Bidê. Estou tão longe e sei que as pessoas gostam da banda. Mas não gosto de tocar sem a Bidê e agora a banda está de férias, está cada um pra um lado.
Durante essas férias, como estão esses projetos solo?
Estou lançando um disco com o projeto Império da Lã, que já existe há 10 anos e é uma banda sem formação física, tem um formato anárquico que toca coisas diferentes a cada show. Fazemos um bloco de carnaval de rua em Porto Alegre e virou o bloco mais popular da cidade, reunindo 40 mil pessoas. São músicas próprias e versões em frevo, axé e samba de rock mundial e do rock gaúcho. E outras que o pessoal pode procurar no Spotify. Duas músicas já têm clipe e vamos lançar um disco no final do ano. E há duas semanas lancei EP com um projeto mais louco ainda. É o Bife Simples. Sabe quando compra só o bife? É um projeto que tenho de improviso, cada vez que toco é na hora. Convido uma banda da Grande Porto Alegre, O Carabala, que me acompanha. E com esse projeto eu gravei quatro dessas improvisadas, que lançamos pelo selo 180, já está em todas as plataformas digitais. É uma proposta completamente diferente do Império da Lã. Um lado tem axé e ritmos populares. E esse é bem rock e garageiro. E além disso lancei livro infantil e livro de contos, trabalhado com outras coisas que não conseguia por conta da Bidê. Esse ano consegui fazer coisas que queria.
Então não é novidade na tua dinâmica de vida fazer esses shows improvisados…
Não, é ótimo, justamente para ter ideias malucas. Mas estou ansioso para fazer os sons com os guris aí. Dessa vez vou conseguir passar uns dias a mais, ficar para passear. Tô louco para ter essa nova experiência com Belém, vai ser massa. Das vezes que fui fiquei pouco tempo.
E esses projetos de livros?
O livro infantil foi feito a partir da música “Mesmo que Mude”, que vou levar comigo para ver se alguém quer alguns. E lancei livro de contos. Tenho um alterego que escreve meio prosa poética, é o So Mascarenhas, vou levar para Belém também.
Livro infantil com o maior sucesso de vocês?
Foi uma sugestão da editora, é a música que o pessoal mais se identifica da Bidê e quem fez o livro foi o ilustrador, ele que fez algo diferente. É a letra da música transformada em livro infantil, de um projeto que transforma música em livro, da editora Edbooks, e me fizeram essa proposta. Ficou muito bonito, bem legal. A música já teve várias interpretações, de diversas formas, e ver mais uma é muito legal. É o trabalho que ganha vida, é a graça de se fazer alguma coisa com arte, não ser o dono da interpretação. A gente se sente um pouco mais artista.
Legal
“Roquerági” com Carlinhos Carneiro, The Baudelaires e A-Troca
Quando: Hoje, a partir das 22h
Ingressos: R$ 20, com vendas a partir de 21h
“Insanos 90” com DJs Carlinhos Carneiro (Bidê ou Balde), Damasound, Felipe Proença e Fernando Souza
Quando: Sábado, a partir das 22h
Quanto: R$15 (a partir de 22h) e R$20 (a partir de 23h)
Onde: Ziggy Hostel Club (Tv. Benjamin Constant, 1329, entre Av. Nazaré e Av. Braz de Aguiar)
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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