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MÚSICA

Festival Sonora realiza edição em Belém a partir de amanhã só com atrações femininas

Como as jovens cantoras têm se apresentado atualmente? E o que têm cantado? São dúvidas que o Festival Sonora - Ciclo Internacional de Compositoras pretende desvendar. E mais: estimular e apresentar esse cenário para fortalecer as carreiras femininas. A e

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Como as jovens cantoras têm se apresentado atualmente? E o que têm cantado? São dúvidas que o Festival Sonora - Ciclo Internacional de Compositoras pretende desvendar. E mais: estimular e apresentar esse cenário para fortalecer as carreiras femininas. A edição em Belém ocorre amanhã, a partir das 17h, no Ziggy Hostel Club, e domingo, 10, no Casarão Floresta Sonora, com shows de Inesita, Lariza Xavier, Thais Badu, Nazaré Pereira, Nathália Lobato, Lívia Mendes e Marisa Brito. A entrada é gratuita.

De acordo com a cantora e compositora Sammliz, organizadora do evento na capital paraense, foram mais de 20 inscritas e a seleção foi difícil, já que são estilos diferenciados. Participaram da curadoria também a cantora Aíla, a produtora cultural Renée Chalu e Lu Soeiro, também organizadora do festival, que avaliaram as inscrições a partir de vídeos no YouTube, links no Soundcloud, dentre outros canais, com o objetivo de analisar a performance ao vivo.

“É complicado ter critérios para julgar artisticamente. Elas se inscreveram em shows de 20, 30 e 40 minutos e nós pedimos que enviassem um material ao vivo e pelo menos 80% de repertório autoral, em qualquer formato. Não importava tanto o histórico, carreira, mas sim ouvir esse material e saber como estão se comportando em cima do palco. Infelizmente não conseguimos abarcar todo mundo, mas esperamos fazer um evento maior no ano que vem”, diz Sammliz.

Para as apresentações, as cantoras poderão chamar outras artistas e compositoras para se apresentarem com elas. E essa mistura de ritmos e gerações também é parte importante para a equipe curatorial. Sammliz dá o exemplo da cantora Nazaré Pereira, compositora já conhecida da música paraense, e Inesita, que acabou de lançar seu primeiro EP. O objetivo é fazer com que elas se conectem e que essa cena se fortaleça. “Temos uma nação de mulheres artistas, mulheres chegando com muita força. Estamos felizes de abrir espaços”, comenta Sammliz.

Sobre a qualidade dos repertórios e as influências musicais, a organizadora nota uma profusão de sons que não delimitam categorias e se misturam cada vez mais, com sons pop e contemporâneos, ao mesmo passo que há um lugar significativo para as influências regionais. Também há uma notória percepção de que as mulheres estão mais autônomas e tomando frente de seus processos criativos e também de questões administrativas em suas carreiras.

“Tem de tudo um pouco: uma MPB mais contemporânea e pop, tem rock, tem sons regionais, também revisitados. Complicado de definir. Tem esse colorido na música, que é uma marca de hoje. A Thais vem com a Crew das Minas, rap, reggae, e está começando trabalho dela novo em cima disso. Tem a Lívia Mendes com folk brasileiro, a Marisa Brito, que já tem carreira e agora está lançado o trabalho novo. Para nós, é importante a voz dessas mulheres sobre o mundo e sobre as próprias mulheres, cada uma delas diz muito sobre todas nós”, finaliza Sammliz.

União para fortalecer a cena

Para Lariza Xavier, natural de Marabá e que atualmente mora em Belém, o festival é uma oportunidade de diálogo, em um momento em que a cena musical da capital tem cada vez mais mulheres despontando e em busca de espaços para botar a voz. “Eventos assim são fundamentais para que nos conheçamos, nos fortaleçamos e nos alimentemos umas das outras. Que cada vez mais mulheres tenham essa oportunidade. Precisamos ser ouvidas nas nossas pluralidades, principalmente nesse momento do nosso país”, diz ela, que estará acompanhada pelos músicos Lucas Guimarães e Jimmy Góes.

Ela adianta que o pocket show dialoga com a ideia do evento e que quer jogar as suas letras, as forças de dores e amores. “A minha inspiração vem da própria vida, de observar os processos do eu indivíduo e do eu coletivo, de ver os rostos das pessoas nas ruas, de não permitir a atrofia dos meus sentimentos e consequentemente dividir isso. Não somos incentivados nesse modelo de sistema a entender o que sentimos e a permitir que nossas emoções floresçam de uma forma natural e amadurecida. E a música vem com essa beleza luminosa de lembrar que estamos vivos. Lembrar tanto quem canta quanto quem ouve. É uma responsabilidade”, analisa.

PASSA LÁ

Casa Aberta Especial Sonora Ciclo Internacional de Compositoras Belém, com showas de Inesita, Lariza Xavier, Thais Badu e Nazaré Pereira
Quando: Amanhã, às 17h
Onde: Ziggy Hostel Club (Trav. Benjamin Constant, 1329)
Quanto: Entrada gratuita

Casarão Sessions - pockets de Nathália Lobato, Lívia Mendes e Marisa Brito
Quando: Domingo, 10, às 16h
Onde: Estúdio Casarão Floresta Sonora (Rua 13 de Maio, 363)
Quanto: Pague quanto puder

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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