Quando Sebastião e Theo decidiram tocar juntos, foi para se divertir com as músicas do pai, o cantor e compositor Nando Reis. Com ele, fizeram uma nova versão de “O Mundo É Bão Sebastião” para uma campanha publicitária, e “Família” para a abertura de Malhação, em 2013. Com menos de um ano de banda, já intitulada Dois Reis, em referência ao nome herdado do pai, lançaram um EP com a inédita “Passageiro do Vento” e a regravação “ECT”, famosa na voz de Cássia Eller. Agora, pelo selo independente Relicário, eles acabam de lançar o primeiro álbum, “Dois Reis”, com oito canções já disponíveis via streaming.
“Começou com o projeto de tocar musicas do nosso pai, nem era uma banda. Mas a gente gostou muito da primeira experiência [o EP ‘Dois Reis’] e resolvemos seguir em frente, começamos a excursionar e aos poucos colocar músicas nossas, compor juntos. Esse disco é fruto do que a gente foi criando ao longo do tempo, não só as composições, mas do som que desenvolveu, da sinergia entre nós e a banda que acompanha a gente”, comenta Theo, em entrevista para o Você.
Com Sebastião no violão e dividindo os vocais com seu irmão, como Theo adiantou, a dupla é acompanhada por uma banda de formação clássica de rock: Victor Barreto na guitarra, Rafinha Wer na bateria, Gabriel Gariba no baixo e Pedro De Lahoz no teclado. Nas composições, algumas parcerias dos irmãos. “Todas as músicas são autorreferenciais. Tratam de nossos sonhos, angústias, medos, alegrias... Elas giram muito em torno do nosso universo. Normalmente, meu irmão já traz a ideia da música, melodia, e eu entro com a letra, que vamos afinando juntos”, conta Theo.
Sebastião e Theo, os Dois Reis, deixaram os covers do pai, mas não a influência: o primeiro álbum tem pegada de rock, folk, pop e balada (Foto: Carol Siqueira/Divulgação)
Som com jeito de antiguinho
O disco de estreia de Dois Reis é um disco de rock, com elementos de folk, pop e balada. Gravado entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017, no estúdio Space Blues, em São Paulo, o trabalho teve direção musical e produção de Fernando Nunes, que conhece os dois Reis desde pequenos. “Ele tocou no primeiro e segundo disco solo do nosso pai. E depois também fez parte da banda da Cássia Eller, então a gente sempre esteve próximo dele”, conta Theo. Fernando ainda foi responsável pela produção do disco de estreia da Zafenate, primeira banda de Theo.
“Quando a gente pensou em fazer um disco, a primeira pessoa que a gente chamou para conversar foi ele e vimos que era mesmo esse o caminho. Quando você trabalha um álbum, tem duas áreas: a técnica, musical, e também o material humano. E o Fernando é um cara muito bacana. Ele fez todos os arranjos com a gente, inclusive de voz. Soube extrair o melhor de cada um de nós e da banda”, comenta Theo. A co-produção e a mixagem ficaram a cargo de Alexandre Fontanetti e a masterização foi feita por Chris Hanzsek, em Seattle, no Hanzsek Audio Snohomish.
O álbum começa por “Abri as Portas” e “Seja Como For”, dois rocks ao mesmo tempo pops e pesados, com tom nostálgico dos anos 1970. De acordo com Theo, essa foi uma referência indispensável. “A gente ouve muita coisa dessa época, não só rock, mas reggae, soul, funk. Nós dois gostamos muito dos anos 1970. Desde o início, a gente buscou uma sonoridade, uma textura que remetesse a essa época. Tanto que fomos gravar no Space Blues, um estúdio que tem muitos instrumentos antigos. A gente gosta desde bandas como Beatles, até os tropicalistas, o Clube da Esquina, que fizeram os anos 1970 no Brasil”.
Em seguida, o disco retoma “Se Prepare”, música de refrão forte, gravada anteriormente pela Zafenate, a banda antiga de Theo, mas que ganha um novo arranjo com a cara da banda Dois Reis. “Enquanto lá eu fazia um rock mais puxado para o reggae, aqui vamos mais para o rock clássico”, define o músico. O álbum continua com “Curva dos 30”, uma faixa carismática que versa sobre a passagem do tempo, com arranjo acrescido de trombones. E “A Sombra do Futuro”, canção com arranjo que mescla um violão com pegada brasileira ao rock vigoroso.
O disco ainda retoma mais uma canção, a balada “Repartir”, apresentada pela primeira vez pela banda no programa “Superstar”, da TV Globo, e que aparece agora em sua versão completa. “Essa experiência foi importante pra gente, nossa primeira exposição massiva, na TV, para pessoas que nunca tinham ouvido falar na gente nos conhecerem. Enquanto a proposta do programa era competição, lá dentro era um intercâmbio com músicos do Brasil inteiro, de estilos diferentes. Com certeza foi o momento de falar: ‘É isso aí, a gente quer ter uma banda e divulgar esse trabalho’”, conta Theo.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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