Na cena do rock, todo mundo se conhece. E foi assim que em Natal, capital do Rio Grande do Norte, o quinteto formado por Emmily Barreto, Cris Botarelli, Rafael Brasil, Edu Filgueira e Lauro Kirsch começou a formatar a banda Far From Alaska. Em um dado momento, alguns membros decidiram deixar projetos paralelos e somar esforços para que a FFA alavancasse. Uma das primeiras decisões foi a mudança para São Paulo. Agora, com dois discos lançados, eles começam a acumular alguns destaques na recente carreira, iniciada em 2012. Pela primeira vez em Belém, a banda apresenta-se neste sábado, no Insano Marina Club, no encerramento da programação das
Seletivas Se Rasgum.
A banda potiguar já tocou no Festival Planeta Terra e gravou o primeiro disco, “modeHuman”, dois anos depois. O álbum foi considerado pela crítica especializada um dos melhores de 2014 no Brasil. Eles também já passaram pelo famoso festival de bandas alternativas South by Southwest (SXSW), nos Estados Unidos. Cantam em inglês, como bons representantes do hard rock. Só que agora, do ponto de vista sonoro, o grupo pegou mais leve e se mostra, conceitualmente, diferente. No primeiro disco ele levaram a fundo o conceito hard (pesado” e no segundo, “Unlikely”, optaram por uma via até mais divertida, digamos.
O disco surgiu diferente também porque os integrantes cansaram de tocar o repertório do primeiro. “O ‘modeHuman’ já é muito antigo para nós como banda, muita coisa já aconteceu e mudou depois disso. O ‘Unlikely’ é menos tenso que o anterior, menos sisudo e sério. É um disco mais confortável, que passeia sem medo por outros caminhos não explorados até então. É o primeiro disco que chutou o pau da barraca, tirou a camisa preta e foi pra praia. É um disco melhor de cantar também, com certeza”, explica Cris Botarelli, vocalista e tecladista.
A ideia de “ir à praia” surgiu nos Estados Unidos, onde o Far From Alaska foi gravar o segundo álbum, com os comandos da produtora musical Sylvia Massy, que já trabalhou com bandas como Red Hot Chili Peppers e System of a Down. Cris conta que eles alugaram uma casa a poucos quarteirões do estúdio e passaram um mês completamente imersos no processo de produção e gravação das faixas, que têm nomes de animais como cobra, urso, flamingo, porco, elefante, pelicano, macaco, rinoceronte, entre outros, em inglês, claro, e ainda pizza.
“A experiência foi demais, a Sylvia é talentosíssima, entendeu de primeira a viagem da banda e contribuiu muito positivamente para o disco! Ela teve pouca ingerência nas músicas propriamente ditas, se concentrou mais na engenharia da gravação, em experimentos de timbres e etc, mas ainda sim todas as sugestões dela eram como ‘cerejinhas do bolo’. É muito bom finalmente poder tocar músicas novas, inventar novas danças. A galera tem gostado muito”, conta Cris. “Vai ser nossa primeira vez aí em Belém e eu só posso dizer que fazia anos que esperávamos por isso! Estamos muito felizes e pretendemos colocar o palco abaixo, quebrar tudo, essas coisa de roqueiro”, brinca.
Chance de conhecer novas produções
De volta à programação do Festival Se Rasgum, após uma interrupção ano passado por falta de patrocínio, o momento das ‘‘Seletivas” é aquele em que artistas locais tentam uma vaga no concorrido line-up oficial do evento. No palco, 10 artistas serão avaliados por um corpo de jurados: Kikito, Inesita, Joana Marte, Andro Baudelaire, Baheu, Nathalia Petta, Antônio de Oliveira, Lambada Hit Combo, Feira Equatorial e Dois na Janela. Destes, quatro serão selecionados para se apresentar no festival, que ocorre de 13 a 18 de novembro.
Os dez concorrentes foram escolhidos em agosto, dentre mais de 150 bandas inscritas, por um outro júri formado pela jornalista Luciana Medeiros, pelo produtor do Festival Noites do Norte de Manaus (AM), Erick Omena, e por Mancha, produtor do Festival Fora da Casinha (SP) e da Casa do Mancha, também de São Paulo.
Para a organização do festival, esta etapa é uma maneira de movimentar a cena musical. Renée Chalu, coordenadora do evento, explica que a escolha dos artistas nas seletivas será feita a partir de critérios com base na música, performance e técnica. Os novos jurados, que serão anunciados no dia das seletivas somente, poderão atribuir notas de 5 a 10 em cada categoria.
“Teremos ainda na noite o voto popular, com votação feita em cédulas, lá mesmo no Insano. O público vai receber na entrada. Depois faremos a contagem. E caso haja empate, o voto do público vai ser o critério de desempate. Para nós, é importante poder realizar as seletivas já que funcionam como uma forma de mapear esses novos artistas, oportunizar apresentação de bandas de outras regiões do estado e balancear com os que são da região metropolitana de Belém. No meio do show da Far From Alaska, vamos anunciar também a programação completa do festival”, diz Renée.
A banda que ficar em primeiro lugar nas Seletivas ganha arte de capa para EP ou disco feita pelo designer Rodrigo Cantalício e ensaio fotográfico feito por Renato Chalu, além de participação no “Conexão Cultura Ao Vivo”, da Rádio e TV Cultura, horas de ensaio no Fábrika Studio e divulgação pela Se Rasgum Press.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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