"Este show foi todo pensado para passar uma mensagem de esperança. Daí veio o lance de colocar este tema indígena, e só depois ele foi criando outras formas. Até que virou ‘Semente da Terra’, como se fosse uma passagem da minha vida”, afirma Milton Nascimento, em entrevista exclusiva ao Você. O músico é a grande atração da 3ª edição do “Festival de Música e Poesia”, marcado para sábado, 14, a partir das 20h, no Hangar. Também se apresenta no palco principal do festival o bandolinista Hamilton de Holanda, acompanhado da poetisa Conceição Evaristo; a paraense Natália Matos com o multi-instrumentista Chico Salem; e Olivar Barreto cantando letras do poeta e compositor paraense Ruy Barata.
Milton Nascimento, que completa 75 anos em outubro, traz no repertório de “Semente da Terra” os clássicos de diversas fases de sua carreira. “Tudo está aqui neste show”, diz ele, que ainda celebra junto ao público os 45 anos do histórico “Clube da Esquina”, lançado em 1972; e os 50 anos de “Travessia”, seu primeiro álbum, lançado em 1967. “Sempre procurei fazer aquilo que gosto, talvez por isso eu tenha carinho por tudo que eu fiz até hoje. Sinto que cada coisa valeu a pena”, diz. E destaca outras canções escolhidas para o show: “Tinha que ter também ‘Coração de Estudante’, ‘Nada Será Como Antes’, ‘Maria Maria’, ‘Caxangá’, além de muitas outras que o pessoal gosta. O momento é disso, de ter esperança”.
“Semente da Terra” é inspirado nas lideranças espirituais da nação Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. É também o nome que Milton recebeu durante um batismo indígena. Por isso, faz desse novo trabalho uma conexão com as suas raízes e encontro com ele mesmo nesse retorno aos palcos, após mais de um ano. O retorno, diz ele, foi motivado pela “vontade de fazer música ao lado dos amigos, de viajar, de ver as pessoas, de visitar os lugares”. “Foi a amizade que me trouxe de volta, digo isso com toda certeza”, pontua.
Uma prova é que todo o conceito do show foi pensado em conjunto com Wilson Lopes (diretor musical, arranjos e cordas), o filho Augusto Kesrouani (também empresário), Danilo Japa (diretor artístico do show) e, claro, todos os integrantes da banda, em especial Lincoln Cheib (bateria), Kiko Continentino (piano) e Widor Santiago (sopros). Entre essas escolhas feitas em conjunto, músicas de forte conotação política e social.
“Acho que cada um deve fazer aquilo que tiver vontade. Nossa vontade hoje é de que possamos gerar algum tipo de reflexão. E o repertório tem um papel importante nisso. A gente não pensou em nada além que não fosse inspirado na vida dos índios e das minorias do Brasil”, justifica.
"FESTIVAL DE MÚSICA E POESIA" REÚNE AINDA CONCEIÇÃO EVARISTO E HAMILTON DE HOLANDA
NÃO PERCA
“Festival de Música e Poesia”
Quando: Sábado, 14, a partir das 20h
Onde: Hangar (Av. Dr. Freitas, s/n – Marco)
Quanto: R$ 40 (pista/meia) a R$ 200 (mesa Terra/individual)
Ingressos: Lojas É Show (Boulevard e Parque Shopping), Bonita Cosmética (Pátio Belém), Empório da Beleza (Castanheira), Espaço Cultural do Bosque Grão Pará ou www.bilheteriadigital.com
Informações:(91) 98082-1540
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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