Um encontro entre pai e filho e também um encontro entre amigos. Celso Viáfora, parceiro e compositor para artistas como Nanna Caymmi e Ivan Lins, e Pedro Viáfora, seu filho, compositor e instrumentista de um dos grupos mais queridos da nova geração, o 5 a Seco, se unem a Nilson Chaves, um dos maiores artistas da Amazônia, em duas apresentações em Belém. Amanhã e na sexta-feira, às 20h, eles sobem ao palco do Teatro Waldemar Henrique, passeando pelo repertório de cada um e suas parcerias.

Como uma roda de amigos
O show “Olhando Belém” é um grande reencontro. “Escrevi esse show com o Pedro e o estreamos em São Paulo. E você sabe que Belém é sempre presente na minha vida. Meu primeiro disco saiu pela gravadora do Nilson, então começou a surgir a ideia de levar esse show para Belém. Como faz tempo que eu não tocava com o Nilson, decidimos fazer os três”, conta Celso Viáfora.
Ele aproveita o encontro para mostrar a inédita “O Beijo”, letra dele e música do amigo, responsável por dar voz a várias de suas composições, como “Não Vou Sair” (quem não lembra dos versos “...e aí você partiu pro Canadá / e eu fiquei no já vou já...”?) e “Olhando Belém” (“...olhando Belém enquanto uma canoa desce o rio”).
Para o show, Celso e Pedro também mostram um pouco de seu trabalho juntos. Eles são os compositores de um dos maiores sucessos da banda 5 a Seco, a música “Feliz Pra Cachorro” (“quero ver quem vai me impedir / de sorrir do Pari até o Pará...”).
“Vamos conversar um pouco, pegar o violão e fazer esses reencontros que valem a pena. Faço muito uma roda de violão em casa, e esse show é um pouco abrir com o público esse repertório de quando estamos à vontade, sem preocupação e roteiro, arranjos. Será um encontro bastante informal, mas com muito afeto, muito carinho”, adianta Celso Viáfora.
TALENTO EM FAMÍLIA
A cumplicidade deste tipo de show é permitida por vários motivos. Nilson viu Pedro nascer e crescer. O menino esteve presente em alguns dos shows de Celso em Belém também e por muitos anos preferia chamar o amigo do pai de “tio Nilson”. Agora serão todos parceiros de palco. “Para viver de música, muitas vezes você viaja, faz show, grava vídeo, perde um pouco a infância dos filhos, por mais presente que seja. Quando seu filho resolve seguir o mesmo caminho, dá uma alegria, certeza de que fez o melhor possível, não ficou nenhum trauma (risos), então o show é todo esse monte de emoções embaralhadas”, considera Celso.
Cada um com sua carreira, ouvir aos três pode ser também promessa de muitas emoções para o público. Nilson tem 18 discos gravados e ainda cinco DVDs, com destaque para o CD “Waldemar” em parceria com Vital Lima e “Amazônia Brasileira” com Sebastião Tapajós, lançado na Europa. Foi indicado para o Grammy Latino com o CD “25 Anos Ao Vivo” e, em parceria com Lucinnha Bastos e Mahrco Monteiro, comemora em este ano 15 anos do projeto “Trilogia”, um dos mais prestigiados da capital paraense.
Compositor fértil e intenso, Celso é parceiro de alguns dos mais consagrados artistas brasileiros como Ivan Lins e Francis Hime, além de ter músicas gravadas por intérpretes como Ney Matogrosso e Simone. Por este caminho segue o filho, Pedro Viáfora, que integra o 5 a Seco juntamente com Vinicius Calderoni, Tó Brandileone, Pedro Alterio e Leo Bianchini, lotando espaços como o Tom Jazz, em São Paulo. Pedro tem ainda a carreira solo, que estreou em 2013, com o álbum “Feliz Pra Cachorro”, produzido por Celso.
Celso Viáfora lança romance esta noite em Belém
Antes dos shows ao lado de Nilson Chaves e do filho Pedro, Celso Viáfora encontra o público paraense por um outro motivo. Ele lança, em noite de autógrafos, às 19h, na Confraria do Fraga – o bar do cantor e compositor Eudes Fraga – o romance “Amores Absurdos”. O livro já tem algum tempo de estrada, mas será a primeira vez que o autor se permite um momento para lançá-lo por aqui, encontrando os amigos.
“Amores Absurdos” surgiu entre julho e setembro de 2012, quando Celso se viu angustiado com um fato até então inédito na carreira: ele estava em crise criativa. Não compunha nada que o satisfizesse. Uma madrugada, em desarmonia com o violão, seguiu para o computador e iniciou um trabalho que acabaria levando os nove meses seguintes e resultando no livro.
O romance tem início no instante em que o compositor Antônio Terra e a cantora Lídia Saviolo se conhecem, nos anos 1980, durante um festival de música no interior do Brasil e chega a este século, quando, estabelecidos como empresários de sucesso, os dois vivem o auge da relação e o desgaste dela. “Eu comecei a escrever algo que eu não sabia o que seria, fui criando os personagens e o projeto seguiu. Curioso que durante o processo de nascer o livro, o meu lado compositor ficou com medo de perder o emprego para o escritor e percebi que estava compondo embalado pelas emoções das cenas literárias”.
Outras composições, criadas em tempo anterior ao da escrita, moldavam-se à narrativa como se houvessem antecipado a cena romanceada. Ao fim da empreitada, 14 canções foram compostas ou pinçadas para a “trilha sonora” do livro, lançada no CD “Amores Absurdos”. Nele, Celso canta e toca violão, acompanhado por um quinteto de cordas (dois violinos, viola, violoncelo e contrabaixo) liderado por Neymar Dias. As canções estão ainda no e-book, no qual o leitor pode, durante a leitura, clicar no link ao pé da página e ouvir a música que emoldura cada momento do romance.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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