Com um trabalho autoral que tem estreita relação com a poesia, o cantor e compositor paraense Arthur Nogueira está de volta a Belém em única apresentação, hoje, às 21h, na Confraria do Fraga. O repertório é baseado em “Rei Ninguém”, quarto álbum de carreira, que lançou recentemente pelo selo Natura Musical. Fazendo bom uso do formato voz e violão, ele apresenta suas canções como vieram ao mundo, no soar das cordas, e um pouco de suas inspirações literárias. Quem conferir o show, ainda assiste em primeira mão ao videoclipe da música “Era Só Você”, com previsão de lançamento para a próxima semana.
Por se considerar um compositor e não um instrumentista propriamente dito, Arthur faz suas músicas ao violão – “formato com o qual a música brasileira se identifica muito, sobretudo por causa da bossa nova”, diz ele. E com isso em mente, montou este show solo, com o qual já se apresentou em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. “É diferente do último show porque o disco não tinha saído ainda, então estava guardando algumas canções. E é muito diferente você ouvir a música com a banda completa, com a sonoridade que estava no disco, para a forma como ela foi composta, apenas no violão”, comenta.
Ao longo da apresentação, Arthur também pretende revisitar álbuns anteriores. “Foram três discos nos últimos três anos”, lembra. Com uma postagem em rede social, convidou o público a pedir canções e diz que o formato do show ajuda a criar essa dinâmica. “Também tem compositores como o Tom Waits, que adoro, e pretendo levar uma música que nunca cantei em show. Tenho muito prazer em tocar nesse formato porque geralmente é feito em locais pequenos, cria uma relação de cumplicidade com as pessoas, uma coisa bonita”, completa o músico, que quase sempre se emociona diante dessa proximidade com o público.
O repertório do novo disco faz um passeio por versos de Eucanaã Ferraz (de quem musicou “Papel, Tesoura e Cola”) e da poetisa de língua alemã e origem judaica Rose Ausländer (autora do poema “Ninguém”, inspiração para o nome do disco). Também faz homenagens a Ferreira Gullar, em quem se inspirou para compor “Lume”, e Waly Salomão. E segue com parcerias, que incluem duas novas canções com o poeta Antonio Cicero, intituladas “A Hora Certa” e “Consegui”. “Eu falo que só faço música pela minha paixão pelos poetas e as poesias”, diz ele.
Por dentro do disco
O projeto de “Rei Ninguém” já conta com um vasto material de vídeo. Gravado durante uma imersão em estúdio-fazenda, no interior de São Paulo, tudo foi captado pelo videomaker Luan Cardoso e está disponível ao público no formato de minidocumentários abordando os processos de criação do álbum.
Além disso, alguns videoclipes também estavam previstos, sendo o próximo o da música “Era Só Você”, que terá uma espécie de première durante o show na Confraria do Fraga. No álbum, ela tem letra autoral, com arranjo coletivo e participações especiais de Allen Alencar (guitarra), Filipe Massumi (violoncelo), João Deogracias (baixo e sintetizadores), Richard Ribeiro (bateria) e Zé Manoel (piano e teclado).
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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