Nos últimos anos, chama a atenção o número de casos de DJs mortos precocemente. Avicii representa a tragédia mais recente: em carta, a família sugere que ele cometeu suicídio. Só na cena brasiliense, perdemos pelo menos três artistas entre 2015 e 2017: o veterano Celsão e os jovens Wilson Nemov e Lucio Balla.
A rotina de um DJ é deveras estafante: viagens, baladas uma atrás da outra, madrugadas sem dormir, sono acumulado, alimentação desregrada. Alok, principal nome brasileiro na música eletrônica, é um dos músicos que mais viajam pelo mundo: chega a pegar jatinho para tocar em cinco lugares diferentes numa mesma noite.Dois DJs contam o que fazem para aguentar o tranco. Sony e Bhaskar, irmão gêmeo de Alok, indicam pelo menos três medidas fundamentais para manter o pique: fazer exercícios, cuidar da alimentação e valorizar o equilíbrio.


Ir para a balada: um ofício que exige cuidados
“Sei bem dividir trabalho e diversão. Quando tenho vários show na noite, distribuo minha energia para aguentar tudo. E se eu quiser curtir, deixo pra fazer isso na última”, conta Bhaskar, de 26 anos.
Aos 40, Sony dá o recado: o tempo o fez aprender a levar as coisas com mais parcimônia. “Hoje é mais fácil. Você aceita o que quer. Quando se é novo, não tenho como mentir para você. Existe, sim (excesso): ‘vou beber, curtir’. Mas o organismo cobra um preço”, relata.
“Eu sou um cara bem tranquilo em relação a isso, e só tiro um tempo para curtir quando não tem trabalho envolvido. Sempre enxerguei essa vida com muito profissionalismo, ao invés do que as pessoas pensam, que é só curtição”, opina Bhaskar.
Seguir alimentação saudável na estrada pode ser uma missão ingrata. “Agora estou tentando até levar comida de casa, para sair o mínimo possível”, recomenda o goiano radicado em Brasília. Segundo Sony, há como contornar isso com atividade física diária. “Corro todo dia 10km de manhã”, diz.
O pós-show também exige atenção dos DJs. “Hotel, aeroporto. Isso é o mais cansativo”, aponta Sony. Ambos não abrem mão de descanso generoso após qualquer viagem. “É uma questão de se policiar. Não é fácil, mas hoje prezo muito por boas noites de sono”, comenta Bhaskar.
Após mais de vinte anos na cena, Sony avalia que trocar o dia pela noite tem seus custos a médio e longo prazo. “Audição e corpo são os mais afetados, pode ter certeza”, examina.
Opinião médica
O doutor Fausto Stauffer, cardiologista atuante em Brasília, cita um estudo da Universidade de Westminster, na Inglaterra, como referência para a pesquisa sobre a saúde dos músicos. O levantamento investigou como o trabalho afetou a vida dos profissionais. Dos 2.211 entrevistados, 71,1% relataram ansiedade ou ataques de pânico e 68,% responderam que sofriam de depressão.
“É uma rotina de muitas viagens e até de isolamento social. Eles não ficam perto de amigos e da família. Em relação à população em geral, músicos têm até duas ou três vezes mais chance de transtornos mentais ou psiquiátricos”, explica o especialista.
O médico alerta que esses problemas podem acarretar doenças cardiovasculares, especialmente quando associados ao uso abusivo de bebida, cigarro e drogas. “Ansiedade, insônia e depressão aumentam esse risco a longo prazo. Mas, em relação a pacientes mais novos, virou ciclo vicioso ter transtornos e depois dependências químicas. Isso potencializa o perigo cardiovascular”, aponta.
A recomendação de Stauffer é, além de evitar maus hábitos, “tentar manter rotina normal de sono quando não se está nos shows. Ficar relaxado em ambiente com amigos e família e valorizar momentos de lazer.”
Fonte: Metropoles
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar