Como aproximar as pessoas da natureza, a partir de recursos tecnológicos, em projetos inovadores? A questão é realmente um desafio para a vida contemporânea. E foi com base nesse questionamento geral que 32 pessoas participaram do Hackathon “Mãos na Mata”, evento que reúne a palavra “hack” à “marathon”, em inglês, e que pode ser traduzido livremente como uma maratona de programação, ocorrido no último final de semana, no município de Moju e em Belém. Estiveram reunidas pessoas de diversas áreas como Engenharia, Design, Artes, Arquitetura e Biologia, desafiadas a pensar e criar soluções em sustentabilidade.
Para imergir em ambientes que possam estimular a criatividade, os concorrentes fizeram uma visita à comunidade do Jauari, em Moju, no nordeste do Estado, onde conheceram de perto a vida à beira do rio, a casa integrada à floresta e a dinâmica de uma rotina não urbanizada. A realidade é bastante distinta do que quase todos estão acostumados, já que vieram de grandes centros como São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Salvador. Essa experiência deixou-os impactados positivamente e proporcionou “inputs” de novas ideias a serem discutidas.
Durante dois dias, os participantes ficaram agrupados em oito equipes e precisaram ser rápidos para alinhar ideias e propor projetos coerentes e viáveis. As atividades de prototipagem do material a ser apresentado foram realizadas em um hotel em Belém. No último domingo, 20, os grupos apresentaram suas propostas para um corpo de avaliadores, composto por Luciana Hashiba, gerente de inovação da Natura; Fábio Pires, especialista em desenvolvimento industrial do Senai; Cláudia Pinheiro, diretora da marca Ekos; e Kamila Brito, criadora do projeto Barco Hacker. O que se viu foram projetos bastante interessantes, todos “fora da caixinha” quando se pensa em levar as pessoas a experiências sensoriais que remetam a um ambiente de natureza, seja ele real ou virtual.
PROJETO VENCEDOR
José Neto, estudante de Engenharia de Produção, natural de Capanema e atualmente morando em Belém, foi um dos participantes da equipe vencedora com o projeto “Quintal Mágico”. “Eu não sabia de fato como ia ser, mas parece que foi um curso intensivo de melhoramento pessoal, acadêmico, profissional e foi bem difícil, pois cada um tinha uma ideia e buscamos nos adequar aos critérios da maratona, apresentando algo físico, desenvolvendo habilidade econômica e resolvendo problemas usuais”, conta o estudante.
O projeto “Quintal Mágico” consiste em um clube de assinatura de sementes e sensores, para que o cuidado com plantas possa ser mais eficaz. “A ideia é que o sensor possa avisar quando a planta precisa ser molhada, a partir da indicação de luz vermelha para mais água, ou verde para menos. Além disso, também queremos que a planta ‘converse’ com seres humanos, avisando a sua necessidade, por meio de notificação por celular”, explica José Neto. “Assim resolvemos um dos maiores problemas de se ter plantas em casa, que é o fato de se desconhecer as reais necessidades de cada espécie, o que acaba por matá-las ou por sede, ou por afogamento. Assim, a planta ‘avisa’ qual a sua real necessidade de forma inteligente”, detalha.
Outros projetos, além do “Quintal Mágico”, pensaram em recriar ambientes naturais, dando ferramentas para a construção de minijardins. Outros apostaram na tecnologia para criar realidades virtuais que desloquem pessoas localizadas em grandes centros para uma experiência sensorial junto a uma natureza reconstruída em ambiente hightech. Em todos eles, aplicativos para telefones celular foram utilizados como ferramenta de apoio. O projeto vencedor será colocado em prática pela Natura e os membros do grupo farão um intercâmbio na conceituada MIT- Massachusetts Institute of Technology. Mas a ideia é que a disputa seja apenas um ponto de partida para que todas as demais ideias nascidas aqui cresçam e se desenvolvam até virar realidade.
A publicitária Luiza Voll, que também integra o grupo vencedor, acredita no potencial das trocas de experiências, principalmente com pessoas que estão em locais diferentes do que ela habita. “É bom sairmos da nossa bolha. E a proposta dessa maratona é estourarmos essas bolhas, com o objetivo de uma maior consciência ambiental. Não basta sabermos, é preciso agir, acreditar no potencial transformador das ideias. Gosto de saber que tenho meu papel nisso, trazer para mim essa responsabilidade”, diz. Para muitos dos jovens envolvidos, a experiência no Pará será inesquecível. “Não estava nos meus planos conhecer Belém. Foi um divisor de águas que vai fazer a diferença no meu trabalho daqui para frente. Quero conhecer a Amazônia inteira”, disse o paulista Leandro Corrêa, também participante do hackaton.
(Dominik Giuisti/Diário do Pará com colaboração de Esperança Bessa)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar