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DO SONHO AO SOFRIMENTO

Copa de 1998: a esperança do penta e o trauma do Brasil na final

A derrota para os franceses, no entanto, deixou cicatrizes e abriu caminho para um novo ciclo de renovação, que culminaria na conquista do pentacampeonato

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Imagem ilustrativa da notícia Copa de 1998: a esperança do penta e o trauma do Brasil na final camera O resultado encerrou o sonho do pentacampeonato e marcou uma das derrotas mais dolorosas da história do futebol brasileiro | Acervo/CBF

Campeã mundial quatro anos antes e novamente apontada como uma das grandes favoritas ao título, a Seleção Brasileira desembarcou na França para a Copa do Mundo de 1998 cercada por expectativas. O elenco reunia estrelas em grande fase, lideradas por Ronaldo, considerado o principal jogador do planeta naquele momento. Porém, antes mesmo da estreia, o Brasil sofreu uma baixa importante. A lesão de Romário, um dos heróis do tetracampeonato, obrigou a comissão técnica comandada por Zagallo a reformular seus planos e lidar com uma ausência que abalou o grupo.

O problema físico do atacante, sofrido durante uma partida do Flamengo pelo Campeonato Carioca, tornou-se uma preocupação constante nas semanas que antecederam o Mundial. Após avaliações médicas, a decisão definitiva veio na noite de 1º de junho: Romário não teria condições de disputar a competição. Emerson foi chamado para ocupar a vaga. Apesar do impacto da notícia, a Seleção iniciou sua caminhada na Copa com vitória.

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No dia 10 de junho, no Stade de France, em Saint-Denis, derrotou a Escócia por 2 a 1. César Sampaio abriu o placar e o segundo gol brasileiro surgiu em um lance contra do defensor escocês Tommy Boyd. A atuação esteve longe de encantar, mas garantiu os primeiros três pontos. O desempenho melhorou significativamente na rodada seguinte. Em Nantes, o Brasil venceu Marrocos por 3 a 0 com gols de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto. A atuação segura reforçou a condição de favorito e aumentou a confiança da equipe.

No encerramento da fase de grupos, entretanto, veio uma inesperada derrota para a Noruega. Em Marselha, Bebeto colocou a Seleção em vantagem no segundo tempo, mas os noruegueses reagiram e venceram por 2 a 1. O resultado foi marcado por um pênalti cometido por Júnior Baiano sobre Tore André Flo, inicialmente contestado por jogadores, torcedores e comentaristas, mas posteriormente confirmado por imagens de televisão.

O caminho demonstrava ser fantástico

Copa de 1998: a esperança do penta e o trauma do Brasil na final
📷 |Acervo/CBF

A derrota serviu de alerta. Nas oitavas de final, o Brasil voltou a apresentar um futebol convincente ao golear o Chile por 4 a 1, em Paris. César Sampaio e Ronaldo marcaram dois gols cada e conduziram a Seleção à próxima fase. Nas quartas de final, diante da forte Dinamarca, os brasileiros protagonizaram uma das melhores partidas da Copa. Em Nantes, venceram por 3 a 2, com um gol de Bebeto e dois de Rivaldo, garantindo vaga entre os quatro melhores do torneio. A semifinal reservou mais um capítulo de um dos grandes clássicos do futebol mundial.

Contra a Holanda, em Marselha, o Brasil saiu na frente com Ronaldo, mas viu os holandeses empatarem nos minutos finais. Após a prorrogação sem alterações no placar, a decisão foi para os pênaltis. Mais uma vez, Taffarel brilhou debaixo das traves, e a Seleção venceu por 4 a 2, assegurando presença em sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo, após um jogo que é considerado por quase todos que acompanham o futebol como um dos maiores confrontos realizados em toda a história.

A final que iniciou com emoção e terminou em frustração

A decisão aconteceu em 12 de julho, diante de 80 mil torcedores no Stade de France. Do outro lado estava a anfitriã França, embalada pela oportunidade de conquistar seu primeiro título mundial. Porém, o clima na concentração brasileira foi profundamente abalado pela convulsão sofrida por Ronaldo na véspera da partida, episódio que gerou tensão e incerteza até momentos antes do início do confronto.

Em campo, a França foi superior e venceu por 3 a 0, com atuação dominante diante de uma Seleção que não conseguiu repetir o desempenho das fases anteriores. O resultado encerrou o sonho do pentacampeonato e marcou uma das derrotas mais dolorosas da história do futebol brasileiro. Mesmo com o vice-campeonato, a campanha confirmou a força da Seleção em cenário mundial, alcançando sua sexta final de Copa do Mundo. A derrota para os franceses, no entanto, deixou cicatrizes e abriu caminho para um novo ciclo de renovação, que culminaria na conquista do pentacampeonato quatro anos depois, na Coreia do Sul e no Japão.

Copa de 1998: a esperança do penta e o trauma do Brasil na final
📷 |Acervo/CBF

Convocados do Brasil para a Copa do Mundo de 1998

  • Goleiros: Carlos Germano, Dida e Taffarel.
  • Defensores: Aldair, André Cruz, Cafu, Gonçalves, Júnior Baiano, Roberto Carlos, Zé Carlos e Zé Roberto.
  • Meio-campistas: César Sampaio, Doriva, Dunga, Emerson, Giovanni, Leonardo e Rivaldo.
  • Atacantes: Bebeto, Denílson, Edmundo e Ronaldo.
  • Técnico: Zagallo.
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