A poucos meses de mais uma edição da Copa do Mundo, um episódio envolvendo um dos árbitros escalados para a competição gerou repercussão internacional e reacendeu debates sobre a responsabilidade dos países-sede na recepção de profissionais ligados ao torneio. O caso levou o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, a fazer duras críticas à entidade e ao seu sucessor, Gianni Infantino.
O centro da polêmica é o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos no último sábado (6), mesmo após obter autorização prévia para participar do Mundial.
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ÁRBITRO ENFRENTOU LONGA VIAGEM E FOI BARRADO EM MIAMI
Artan iniciou sua viagem no Quênia, passou pela Turquia e desembarcou em território norte-americano após uma longa jornada. Apesar da mobilização de profissionais do esporte e de manifestações nas redes sociais que contribuíram para a obtenção de sua autorização de entrada, o árbitro acabou retido por agentes da imigração no aeroporto de Miami.
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A situação provocou forte reação no meio esportivo, principalmente por envolver um profissional oficialmente designado para atuar em uma competição organizada pela Fifa.
BLATTER VÊ FALHA GRAVE DA ORGANIZAÇÃO
Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Joseph Blatter não poupou críticas ao episódio. O ex-dirigente considerou a situação incompatível com as exigências básicas impostas aos países que recebem uma Copa do Mundo.
Segundo ele, a garantia de segurança e a liberação de entrada para representantes oficiais da Fifa são compromissos fundamentais assumidos por qualquer nação anfitriã. "É inacreditável e absurdo. Quando um país é escolhido para sediar uma Copa do Mundo, existem dois princípios sagrados e fundamentais", afirmou Blatter.
O ex-presidente ressaltou que um árbitro está entre os representantes mais oficiais da entidade e argumentou que a recusa de entrada a um profissional nessa condição representa um problema de grande gravidade para a realização do torneio.
CRÍTICAS INDIRETAS A INFANTINO
Embora tenha concentrado suas declarações no episódio envolvendo Artan, Blatter também direcionou críticas à atual gestão da Fifa, liderada por Gianni Infantino. Para o ex-mandatário, casos como esse expõem falhas na coordenação entre a entidade e os países organizadores da competição.
As declarações ganham peso por partirem de uma das figuras mais influentes da história da Fifa, apesar do controverso fim de sua trajetória no comando da instituição.
O LEGADO CONTROVERSO DE BLATTER
Joseph Blatter presidiu a Fifa entre 1998 e 2015. Sua saída ocorreu em meio ao escândalo de corrupção conhecido mundialmente como “Fifagate”, que abalou a estrutura do futebol internacional e levou à investigação de diversos dirigentes ligados à entidade.
Mesmo afastado da administração do futebol, o suíço segue acompanhando os principais acontecimentos da modalidade e voltou ao centro das atenções ao criticar a condução do caso envolvendo o árbitro somali.
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