"Por que você não ficou em casa?" O questionamento ouvido por diversas mulheres quando vão aos estádios no Brasil explica em parte a razão para elas não estarem mais presentes neles.
Da saída de suas casas até chegarem às arquibancadas, é comum que enfrentem uma série de desafios que fazem com que muitas desistam de acompanhar presencialmente os jogos, conforme relatos ouvidos pela reportagem.
Assédio, falta de segurança e a sensação de não pertencimento completam o cenário.
"Existem diferenças por regiões, mas, no geral, nós temos menos policiais para revista, menos banheiros e, se acontece algo dentro do estádio, não temos muito a quem recorrer", diz a palmeirense Tainá Shimoda, 28, que faz parte do coletivo de torcedoras VerDonnas. "Seria bom, por exemplo, ter mais PMs mulheres para nos atender."
A falta de incentivo e o conceito familiar ou social de que o estádio não é um local adequado para mulheres também contribui para o afastamento, segundo uma pesquisa encomendada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e realizada pelo Ibope/Repucom.
"Há uma cultura equivocada de que mulher não gosta de futebol, de que estádio não seria um lugar para nós", diz a corintiana Rita de Cássia de Lima Franco, 45.
Em muitos estádios brasileiros, a infraestrutura é precária. Faltam instalações sanitárias adequadas, como banheiros femininos em número suficiente, com iluminação e espaços que possibilitem a presença de bebês e crianças.
Também há carência de acessibilidade, com entradas seguras, que evitem assédio, agilizem a revista e facilitem o ingresso nos locais.
"É importantíssimo que todos percebam que a nossa presença veio para ficar e só tende a crescer. Por isso, enfrentar situações que dificultem a participação do público feminino é fundamental. Por exemplo, dar atenção especial às torcedoras mães. Facilitar o acesso delas e de seus filhos. Mostrar que ir ao estádio também é um programa familiar", defende Rita.
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