A participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 passou a conviver com uma crise extracampo envolvendo o presidente da CBF, Samir Xaud. Acostumado a acompanhar de perto a rotina da equipe, frequentando treinamentos, viagens e atividades da delegação, o dirigente se afastou do convívio diário com jogadores e comissão técnica após o surgimento de denúncias relacionadas a supostos gastos indevidos realizados em nome da entidade.
Em meio ao desgaste provocado pela divulgação do caso, Samir deixou Nova Jersey, onde a Seleção está concentrada, e seguiu para Orlando. Oficialmente, a viagem coincide com um encontro de presidentes de federações estaduais que participam de atividades de intercâmbio com entidades esportivas locais durante a Copa do Mundo. Nos bastidores, porém, interlocutores ligados à CBF apontam que o deslocamento também teve como objetivo evitar que a crise contaminasse o ambiente da equipe comandada por Carlo Ancelotti.
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A polêmica ganhou força após a divulgação de informações sobre uma reserva em um hotel de luxo de Nova York feita em nome da CBF para uma amiga pessoal do dirigente, que não integra os quadros da confederação. O caso foi revelado pelo Portal Leo Dias e incluiu ainda registros de encontros do presidente com a acompanhante durante sua passagem pela cidade.
Segundo relatos, após tomar conhecimento da repercussão do episódio, Samir procurou o hotel para que a hospedagem fosse paga com recursos próprios, evitando que a despesa fosse atribuída à entidade. Também vieram à tona informações sobre uma viagem anterior de uma amiga do dirigente ao Qatar, que teria sido posteriormente ressarcida aos cofres da CBF após questionamentos internos.
Busca por apoio político nas federações
Em nota, a CBF afirmou que dirigentes eventualmente utilizam a estrutura logística da entidade para realizar reservas particulares, mas destacou que os custos são reembolsados pelos próprios beneficiários. A confederação sustenta que não arcou com despesas da hospedagem relacionada ao caso divulgado. Enquanto busca apoio político entre presidentes de federações em Orlando, Samir tenta conter o desgaste provocado pela crise e evitar que a situação resulte em novos questionamentos sobre sua permanência no comando da entidade.
Com o afastamento do presidente da rotina da Seleção, o vice-presidente Gustavo Dias Henrique passou a ser a principal autoridade institucional da CBF junto à delegação. Integrante do grupo que exerce influência nas decisões da confederação, ele assumiu a tarefa de coordenar a atuação da entidade durante o Mundial ao lado do coordenador de seleções, Rodrigo Caetano. A orientação interna é para que Samir participe apenas de compromissos oficiais e partidas da Seleção, mantendo distância das atividades diárias da equipe.
Ausência de Xaud chama a atenção nos bastidores da Seleção
A mudança representa uma ruptura significativa em relação às últimas semanas, quando o dirigente acompanhou treinamentos na Granja Comary, viajou com a delegação para os Estados Unidos e marcou presença constante nos trabalhos realizados em Nova Jersey. Após a repercussão da reportagem, a assessoria da CBF contestou a versão de que o presidente teria deixado a concentração para escapar da crise.
Segundo a entidade, a viagem para Orlando estava programada antes da divulgação das denúncias e fazia parte da agenda oficial dos presidentes de federações. A confederação afirmou ainda que seria natural a presença de Samir no encontro e classificou como equivocada qualquer tentativa de relacionar os dois acontecimentos. Apesar da manifestação oficial, o presidente não participou de atividades recentes da Seleção que tradicionalmente contavam com sua presença, como a visita de familiares à concentração e o primeiro treinamento de Neymar com o restante do grupo.
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