A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou, na última sexta-feira (14), uma nova política de elegibilidade para as competições femininas. A partir de agora, a participação na categoria será restrita a atletas consideradas elegíveis como sexo feminino segundo os critérios biológicos e genéticos estabelecidos pela entidade.
A mudança vale para as principais competições nacionais, incluindo a Superliga A e B da temporada 2026/2027, a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027 e os torneios nacionais de vôlei de praia.
Um dos principais impactos da nova regra é sobre Tifanny Abreu, jogadora trans do Osasco São Cristóvão Saúde, que atua no vôlei feminino desde 2017.
Como funcionará a nova regra
A CBV estabeleceu a utilização da triagem do gene SRY como parte do processo de verificação da elegibilidade para a categoria feminina. O gene está relacionado à determinação sexual e está localizado no cromossomo Y.
Segundo as regras da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), a presença de material associado ao cromossomo Y leva à classificação inicial para a categoria masculina, enquanto sua ausência permite a elegibilidade inicial para a categoria feminina. A entidade prevê ainda avaliações específicas em determinadas situações.
A CBV afirma que a mudança busca alinhar as competições brasileiras às normas internacionais do vôlei. O documento da entidade cita as alterações adotadas pela FIVB a partir de 2025 e a nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI), publicada em março de 2026.
O presidente da CBV, Radamés Lattari, afirmou que a medida tem como objetivo aproximar os campeonatos nacionais dos padrões internacionais.
Tifanny é diretamente afetada
A nova política deverá impedir a participação de Tifanny Abreu nas competições femininas organizadas pela CBV caso ela não seja considerada elegível segundo os novos critérios.
O Osasco São Cristóvão Saúde informou que foi surpreendido pela decisão e acionou seu departamento jurídico para avaliar a situação. O clube também manifestou apoio à atleta e criticou a ausência de diálogo prévio com as equipes.
Até o momento, Tifanny não havia se manifestado publicamente sobre a nova política.
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Regra acompanha mudança internacional
A FIVB aprovou a utilização do teste SRY como parte do processo de elegibilidade e estabeleceu que as federações nacionais devem apresentar os resultados dos exames para as atletas inscritas nas competições abrangidas pela regra.
A entidade internacional também prevê a possibilidade de exames independentes em situações específicas, como dúvidas médicas sobre o resultado apresentado ou suspeitas relacionadas ao teste.
Com a decisão, a CBV passa a adotar no Brasil critérios semelhantes aos utilizados no cenário internacional. A medida representa uma mudança em relação às regras anteriores e deve gerar novos debates sobre elegibilidade, competição e participação de atletas trans no esporte.
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