O jogo desta terça-feira contra os Estados Unidos, em New Jersey, às 21h (de Brasília, com transmissão do SporTV) talvez seja lembrado no futuro como o primeiro da era Paulo Henrique Ganso ou da era Mano Menezes. O certo é que marcará o início de uma preparação de quatro anos para a Copa do Mundo mais importante para a seleção brasileira desde 1950.
Os jogadores que entram em campo para enfrentar os norte-americanos menos de um mês depois de a Espanha ter sido campeã na África do Sul sabem que terão a oportunidade de disputar um Mundial em casa, em 2014. Conquistar o título em uma final no Maracanã colocará o nome desses atletas na história do futebol brasileiro. Será algo que nem Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo conseguiram por não terem tido a sorte de jogar uma Copa no Brasil, diferentemente de Ademir Menezes e os outros atletas da seleção da 1950 que entraram para a história pelo caminho inverso, da derrota, ao perderem do Uruguai no Maracanã.
Os jogadores sabem que ainda terão quatro anos pela frente e um mau resultado na partida desta terça não significará o fim do sonho para 2014. Mas, em um projeto de longo prazo, o desempenho de todos, principalmente de Mano Menezes, começará a ser avaliado a partir de agora. Os olhos estarão acima de tudo nos craques santistas Ganso e Neymar, que causaram enorme expectativa no primeiro semestre deste ano, quando muitos analistas e torcedores defenderam sua convocação para a Copa da África do Sul. Dunga preferiu deixá-los fora. A partir desta terça, os dois tentam se firmar na equipe até 2014.
Confira no quadro abaixo quem já passou pelas seleções de base:

Apesar da febre ao redor deles, Ganso e Neymar sabem que promessas recentes do futebol brasileiro não se resultaram em garantia de presença na Copa. Diego surgiu para o futebol brasileiro durante a campanha santista no título brasileiro de 2002, mas não apareceu nas equipes de 2006 e 2010. Alexandre Pato, que terá agora uma segunda chance, também não foi convocado por Dunga, embora tenha jogado no Milan e tido boas atuações na Europa. Até mesmo Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo em 2005, ficou fora da seleção neste ano.
Mano Menezes também sabe que a sua tarefa não será fácil. Os últimos dois técnicos da seleção em Copa ficaram no comando por quatro anos - Parreira e Dunga. O ex-corintiano também recebeu essa garantia da CBF. Mas, na preparação de 2002, Luxemburgo e Leão foram dispensados - Felipão assumiu o cargo. Sem a participação do Brasil nas Eliminatórias, Mano terá o trabalho avaliado pelo desempenho do time na Copa América (em 2011, na Argentina), na Olimpíada de Londres (2012), na Copa das Confederações (2013, no Brasil) e nos amistosos.
O Pará e o Brasil de olho em Ganso
Muito mais que um simples amistoso, a partida de hoje entre Brasil e EUA marca a volta de um jogador paraense à Seleção Brasileira: Paulo Henrique Lima, o Ganso, fará sua primeira partida com a camisa brasileira. O jogador do Santos, um dos mais clamados pela imprensa nacional e pela torcida brasileira para ir à última Copa do Mundo, deve começar como titular.
O representante do Pará entrará em campo exatamente doze anos e dois meses depois da última partida de um paraense pela Seleção Brasileira. Foi na Copa do Mundo de 1998, no dia 10 de junho. O paraense Giovanni, ídolo e ex-jogador do Santos, começou como titular na partida de estreia da Seleção Brasileira contra a Escócia. Orientado para atuar como um jogador de marcação, o que não era o ponto forte do atleta, Giovanni deu lugar a Leonardo ainda no intervalo do jogo, sendo substituído pelo então técnico do Brasil, Zagallo, que deixou o paraense no banco de reservas até o fim da desastrosa campanha brasileira naquele mundial. Ainda no intervalo daquele jogo, Zagallo teria humilhado Giovanni, que foi defendido por Zico.
Para apagar a triste lembrança da última participação de um jogador paraense atuando pela Seleção Brasileira, Ganso espera repetir com a camisa amarelinha – provavelmente a 10 – o mesmo sucesso que vem fazendo pelo Santos, jogando um futebol digno de uma seleção pentacampeã do mundo, do melhor estilo ganso, de cabeça erguida, com a elegância de sempre. E o maestro do Peixe já deixou bem claro que tanto faz o número da camisa, o que ele mais almeja é “estar em campo e poder ajudar a Seleção Brasileira”.
Cresce o interesse nos EUA
Os Estados Unidos vivem a sua terceira tentativa de colocar o futebol no mesmo patamar do beisebol, do basquete e do futebol americano. Não está claro se dará certo ou se será mais um fracasso como os tempos de Pelé no Cosmos ou a Copa de 1994, que não conseguiram transformar o esporte em uma modalidade popular.
Com este ideal por trás, a seleção norte-americana cresce cada vez mais internacionalmente e o último Mundial bateu recordes de audiência. A partida dos Estados Unidos contra Gana, pelas oitavas de final, teve mais espectadores do que a World Series, como é conhecida a final do campeonato de beisebol, e também superou o último episódio da série “Lost”. Mais de 20 milhões acompanharam a partida de Miami a Seattle.
Na noite de sábado, cerca de 90 mil torcedores lotaram o estádio em Los Angeles para ver a equipe local ser derrotada por 3 a 2 pelo Real Madrid. Na partida desta terça-feira, entre Brasil e Estados Unidos, o novo estádio New Meadowlands, construído a um custo de US$ 1,6 bilhão, deve estar lotado com mais de 80 mil pessoas. Em parte, claro, pelas dezenas de milhares de brasileiros que vivem nesta região do país. Além de jornais como o New York Times, que publicaram uma média de três páginas diárias de reportagens de futebol durante a Copa do Mundo.
O temor da federação norte-americana é que esta nova onda se dissolva como a do Cosmos, no fim dos anos 1970 e começo dos 1980. A equipe teve alguns dos melhores jogadores do mundo, como Pelé e Beckenbauer. No seu auge, a equipe costumava levar uma média de 70 mil torcedores ao antigo estádio do Giants, substituído agora pelo New Meadowlands. A rede de TV ABC, uma das gigantes do país, transmitia ao vivo as partidas no início dos anos 80. Porém, rapidamente, a liga norte-americana desapareceu em meados daquela década, renascendo apenas dez anos depois. Na semana passada, Pelé, que é presidente honorário do Cosmos, anunciou que a equipe tem planos de um dia voltar a existir como integrante da liga profissional.
A onda seguinte, da Copa de 1994, culminou na formação da Major League Soccer (MLS). Depois de anos batalhando, a liga norte-americana começa a emplacar, especialmente com a vinda de craques estrangeiros - e em fim de carreira - como Beckham e Henry. Ao mesmo tempo, é cada vez mais comum jovens norte-americanos se interessarem pelas ligas europeias. E, pela primeira vez, os Estados Unidos tem ídolos, como o meia Landon Donavan e o goleiro Tim Howard, que estarão em campo nesta terça. (Diário do Pará/AE/Nova York)
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