Chega a esta altura do ano, e uma discussão que teve inicio em 2003 com o advento do Campeonato Brasileiro por pontos corridos vem à tona: será a atual forma a mais justa? Com muitos times dividindo suas atenções entre outras competições, será que o campeão brasileiro é sempre a melhor equipe?
"Ano passado, o Flamengo deu uma arrancada e terminou em primeiro. Pela fórmula de disputa, é preciso ter grupo e foco todo o tempo. Quem fica assim, é o melhor", afirma o vice de futebol do Inter, Fernando Carvalho.
À medida que o Campeonato Brasileiro, cada vez mais embolado, aproxima-se do final sem que ninguém dispare na ponta da tabela, torcedores de vários times excitam-se com a possibilidade de levantar o caneco. Neste cenário, alguns clubes vivem situações curiosas: o Inter, por exemplo, a seis pontos do líder Fluminense, entra em campo pisando em ovos nas partidas que antecedem o Mundial rezando para não perder nenhum jogador machucado.
"Em determinados momentos, os clubes priorizam outras competições. Nós usamos umas dez vezes um time misto. Então, nas circunstâncias do momento, pode não ganhar o melhor time", analisa Roth, que completa o raciocínio sobre o tema. "O campeonato parou de ser justo. Existem algumas circunstâncias que deixam o campeonato meio nebuloso", completa.
A competição, que começa "vendida" como um pacote de 38 decisões, termina vitimando a premissa original - os jogos das rodadas iniciais e os da reta decisiva valem os mesmos três pontos, mas nem todos recebem tratamento digno de decisão. Ponto de partida para outro debate: e o equilíbrio técnico da competição?
"Em um primeiro momento, (o campeonato por pontos corridos) era sim o mais justo, era a continuidade de um trabalho que aparecia. Nos últimos anos, coloca-se um ponto de interrogação", encerra o técnico do Inter.
Celso Roth, como praticamente todos os colegas, há muito tempo vem reclamando do calendário do futebol brasileiro, que fica mais apertado para quem decide a Libertadores na primeira metade do ano. E decidir a maior competição sul-americana traz reflexos no campeonato nacional.
Confira abaixo o desempenho desde 2003 dos times brasileiros finalistas da Libertadores - e meses depois, no desfecho do Brasileiro:
2003
O Santos perde para o Boca Juniors a Libertadores e chega em segundo lugar também no Brasileiro (87 pontos), atrás do Cruzeiro (100 pontos).
2004
Nenhum brasileiro decidiu a Libertadores.
2005
O São Paulo sagra-se tricampeão da América ao bater o Atlético-PR. No Brasileiro, os paulistas terminam em 11º lugar e os paranenses em 6º.
2006
O Inter conquista a Libertadores diante do São Paulo. As equipes invertem as posições no Brasileiro: o São Paulo acaba campeão nove pontos à frente do Inter, vice.
2007
O Grêmio é superado pelo Boca na Libertadores e chega na sexta colocação no Campeonato Brasileiro.
2008
O Fluminense perde para a LDU a Libertadores dentro do Maracanã e sofre com o risco do rebaixamento no segundo semestre. Livra-se com o 14º lugar.
2009
O Cruzeiro enverga em pleno Mineirão para o Estudiantes. No segundo semestre, chega à 5ª colocação, sete pontos de distância do Flamengo, campeão brasileiro. As informações são do Portal Terra. (Diário Online)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar