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Vanderlei volta ao passado para projetar o futuro

Uma repentina tempestade de granizo interrompeu o treino do pré-mirim do Flamengo na tarde da última terça-feira, no Ninho do Urubu, antes que o time profissional entrasse em campo, uma hora depois, já sem chuva. O empenho em preservar o futuro rubro-n

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Uma repentina tempestade de granizo interrompeu o treino do pré-mirim do Flamengo na tarde da última terça-feira, no Ninho do Urubu, antes que o time profissional entrasse em campo, uma hora depois, já sem chuva. O empenho em preservar o futuro rubro-negro faz o técnico Vanderlei Luxemburgo comandar o time de cima de olho nos trabalhos da base. No lugar em que espera ver crescer uma nova geração e o CT do clube, o técnico ainda enxerga as carências e os vícios de um passado recente.
Em descompasso com o slogan “craque o Flamengo faz em casa”, o clube liquidou com a conhecida excelência de sua formação e agora paga caro por jogadores de fora. “Não gostei de ver outro dia um grupo do pré-mirim fazendo um trabalho de ultrapassagem e finalização” disse Vanderlei, antes de levar uma questão. “O que esse menino sabe de ultrapassagem com 11 ou 12 anos? Vou dar palestras para o departamento amador mostrando o que precisa ser feito em cada faixa etária”.
Bicampeão estadual de juniores em 1972 e 1973 pelo Flamengo, Vanderlei fez parte da formação da geração mais vitoriosa da história do clube. Na época, a linha de montagem rubro-negra escalonava sua produção entre as diversas idades para tê-las todas juntas no time de cima. Dos 11 jogadores que iniciaram a final do Mundial de Clubes, oito haviam sido formados na Gávea.
Muitas vezes escondida pela pouca visibilidade dos treinos e jogos da base, a deformação só vai aparecer na maneira de jogar das equipes principais. “Não se formam mais jogadores para o futebol brasileiro e sim para atender as demandas de empresário e as condições que se exige hoje. Não há mais lateral, ninguém mais sabe jogar de volante porque estão jogando com três zagueiros no infantil, no juvenil”, lamentou.
Com a sua chegada, o desenho em que armou o time serve como referência para os trabalhos de base. Em vez de congestionar o meio para fazer de Leonardo Moura e Juan sua válvula de escape como alas, Vanderlei os trouxe novamente para a linha de defesa. Para ocupar os espaços no campo de ataque, Vanderlei usa apenas um volante centralizado à frente da zaga e outros dois mais avançados pelos lados do campo. Na parte mais ofensiva desse losango, flutuando em torno da dupla de ataque, o apoiador é uma peça que o Flamengo terá que voltar a produzir em sua base. No elenco atual, o único especialista na posição é Petkovic.
No atual regime, a ditadura é do mercado. “O garoto já chega com procurador, que já tem percentual para fazer negócio. A prioridade é para outras capacidades, que não a de jogar bola, e assim o talento está sendo preterido”, disse Vanderlei, consciente de que terá que proteger as novas gerações não apenas das chuvas de granizo. (Agência o Globo)



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