Não chegou a ser uma “invasão tricolor”, nos moldes da corintiana no Brasileirão de 1976, mas os torcedores do Fluminense que viajaram até Barueri neste domingo voltarão para o Rio de Janeiro com uma vitória que deixa o time a um triunfo de conquistar um título que não chega desde 1984. Jogando “em casa”, a equipe de Muricy Ramalho bateu o Palmeiras por 2 a 1, de virada, e decide no Rio o campeonato contra o já rebaixado Guarani, no próximo domingo.
A esperança de dar a volta olímpica na Arena Barueri acabou frustrada pela vitória do Corinthians sobre o Vasco, no Pacaembu. Com os resultados da rodada, o Fluminense chega aos 68 pontos, na liderança, seguido do time do Parque São Jorge, com 67. Na outro jogo entre as equipes que disputam o título, o Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1, soma 66 pontos e ainda briga pela taça. As emoções ficam todas para a última rodada.
Entre os poucos palmeirenses que foram ao jogo, alguns exigiam que o time entregasse para atrapalhar a vida do rival Corinthians. Logo na entrada do campo, os jogadores ouviram até ameaças e, atrás de um dos gols, torcedores lamentavam a cada chance perdida pelo Fluminense.
No entanto, Dinei começou dando um susto nestes palmeirenses e nos tricolores, marcando um golaço de fora da área. Aos poucos, o Fluminense passou a dominar a partida e, com algum drama, empatou com outro belo gol de Carlinhos, ainda no primeiro tempo. Na etapa final, veio o alívio: o jovem Tartá, com calma de jogador experiente, virou e deixou o título mais perto das Laranjeiras.
O JOGO
Logo aos quatro minutos, um xará de um grande ídolo no Parque São Jorge começou a fazer a alegria dos corintianos. Dinei ganhou disputa com Leandro Euzébio pelo lado direito do campo do Fluminense e chutou forte de fora. A bola pegou efeito e entrou, para alegria da torcida no Pacaembu – e tristeza de tricolores e palmeirenses na Arena Barueri. A comemoração foi tímida, mesmo clima do jogo até então.
Precisando da vitória, o Flu chegou ao gol de Deola a primeira vez aos oito minutos, com um chute de Conca. O lance, mesmo sem perigo, “ligou” o time carioca, que começou a pressionar mais pelo empate.
Em duas jogadas seguidas, quase saiu o gol tricolor. Aos 13 minutos, Conca bateu falta e Fred desvia de cabeça. Na sobra, Emerson manda de cabeça no travessão. Em novo rebote, Gum finaliza mal e a bola vai no pé do Sheik que, impedido, toca por cima.
No minuto seguinte, o atacante chuta rasteiro para a área, mas Deco não chega. Os tricolores lamentam a chance perdida – os palmeirenses na arquibancada atrás do gol de Deola também. Aos 18 minutos, os dois grupos vibraram.
Em lance parecido com o do gol palmeirense, Carlinhos atacou pelo lado esquerdo e se aproximou da área do Palmeiras. De longe, tocou por cima de Deola, adiantado, para deixar tudo igual.
O gol marcou o início da “blitz” tricolor em busca da virada. Conca, Fred e Emerson comandam o time e são responsáveis pelos melhores chances de gol. Aos 28 minutos, Gum desvia de cabeça após cobrança e força Deola a fazer difícil defesa.
Aos 31 minutos, Deco não aguentou o forte calor em Barueri e a falta de ritmo, e deixou o jogo para a entrada de Tartá. Aos 36, nova boa chance do Flu, com Fred, que cruza rasteiro da direita, mas Emerson não alcança a bola. Dois minutos depois, Deola voltou a salvar o Palmeiras: primeiro com Gum, em chute cruzado, depois a bola bateu em Fred e o arqueiro fez nova defesa.
O Palmeiras se limitava a defender e sair nos contra-ataques. Marcos Assunção ainda chegou a levar algum perigo em cobrança de falta. Aos 45 minutos, Conca também teve chance em cobrança de falta, mas a bola foi por cima da meta de Deola, grande responsável pelo empate parcial e alvo das vaias dos palmeirenses que pediam para o time entregar.
A pressão do Fluminense continuou na etapa final. Aos 4 minutos, Mariano avançou pela direita e cruzou rasteiro para Fred, sem marcação, chutar mal, para fora. Aos sete, o atacante perdeu gol chance incrível, de frente para Deola, isolando a bola.
Quando a agonia tricolor ameaçava ganhar corpo, saiu o gol. E foi chorado. Emerson chutou forte de longe e Deola, de novo, defendeu – mas para o meio da área. Na sobra, Tartá teve toda a tranquilidade que faltou a Fred no início do segundo tempo e chutou colocado, no canto esquerdo do arqueiro do Palmeiras e virou o jogo.
Aliviados, tricolores e parte dos palmeirenses se uniram para o coro, com palavras impublicáveis, em “saudação” ao Corinthians, que dependia de um empate ou vitória do Alviverde para pular para a liderança.
Depois do gol, o jogo esfriou. Aos 21 minutos, Kleber arriscou de longe e exigiu defesa de Ricardo Berna, a mais difícil até então. Em seguida, o Palmeiras passou a tocar a bola no meio de campo, sem levar perigo, enquanto os jogadores do Fluminense assistiam, de longe.
O panorama não mudou até o fim da partida, com um Fluminense administrando a vantagem e o Palmeiras, visivelmente desinteressado, sem ameaçar. Com poucas chances para dos dois lados, e com a falta de pontaria dos homens de frente do Flu, a vitória foi garantida sem grandes dificuldades. Assim, a emoção foi poupada para a última rodada, no Engenhão.
(eBand)
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