A relação entre técnico e jogadores da seleção brasileira não segue nenhum padrão e muitas vezes não depende da interferência de dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Dunga esteve no comando da equipe no quadriênio 2006-2010, era respeitado pelo grupo, mas avesso a cordialidades. Há dez meses na seleção, Mano Menezes adota estilo diferente. Cobra dos atletas com ênfase e insistência. Ao mesmo tempo, revela cuidado extremo no uso das palavras e alguma ternura quando fala aos mais novos.
No coletivo do último domingo, por exemplo, Mano chamou a atenção de Robinho três vezes para que finalizasse a gol em lances que demorou a concluir. As reclamações foram bem educadas, didáticas. Depois, quando o treino terminou, deu um abraço rápido no atleta do Milan.
É a primeira vez que Mano Menezes tem um contato mais longo com os jogadores desde a sua estreia no cargo, em agosto do ano passado, quando a seleção venceu amistoso com os Estados Unidos por 2 a 0. Na Argentina, vão ser 11 dias de treinos e convívio no Hotel Sofitel, em Los Cardales, até a primeira partida do Brasil na Copa América - no domingo contra a Venezuela. Nestes dias iniciais de trabalho, não foi possível ouvir nenhum grito ou “palavrão” de Mano. Neste sentido, ele segue os passos de Carlos Alberto Parreira, treinador do Brasil nas Copas de 1994 e 2006.
No último domingo, Mano Menezes deixou os atletas livres após o treino da manhã e pediu que todos estivessem de volta para a atividade da tarde desta segunda, em um dos campos do hotel. Deixou claro que cada um poderia fazer o que quisesse, sem patrulhamento.
Esse gesto denota uma cumplicidade entre técnico e jogadores. Para Mano, estão claros os direitos e deveres de cada um na seleção. Isso tende a funcionar também por causa da homogeneidade do grupo. A maioria é jovem, com vontade de servir à seleção e seguir no futebol. Não há “estrelas” ou grupos à reboque dos mais conhecidos.
Entre 2003 e 2006, Parreira sofreu um pouco por causa do “vedetismo” na equipe. As reverências aos craques recém-campeões do mundo em 2002 não tinham limites. E os excessos vieram à tona depois do fracasso no Mundial da Alemanha... (AGÊNCIA ESTADO /Campana/Argentina)
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