A campanha do Flamengo no Campeonato Brasileiro tem sido marcada pelo ressurgimento de Ronaldinho Gaúcho. No entanto, existe outro personagem para o bom ano rubro-negro até o momento, que conta apenas uma derrota e a invencibilidade no Nacional. O técnico Vanderlei Luxemburgo também chegou cercado pela descrença à Gávea e observa o soerguimento de uma carreira que definhava.
Enquanto Ronaldinho Gaúcho tem sido o esperado líder dentro de campo, Luxemburgo é o comandante exigente fora dele e revive seus melhores momentos. Volta a ser protagonista da principal competição do país, da qual é cinco vezes campeão. Mas ele mesmo sabe que só a conquista do objetivo vai consolidar o renascimento. “Quero ganhar campeonatos. Não adianta ficar invicto e não conquistar títulos. Esse é o nosso objetivo”, costuma dizer o treinador, campeão carioca deste ano sem derrotas.
A virada que o técnico rubro-negro empreende talvez seja ainda mais destacada do que a de seu astro. No ano passado, Luxemburgo viveu o ano mais desastroso de sua trajetória. Chegou ao Atlético Mineiro no início de 2010 festejado pela torcida como se fosse um autêntico camisa 10. Luxemburgo era a esperança atleticana por uma grande temporada, o homem que faria o clube suplantar a supremacia do rival Cruzeiro e voltar a um lugar de destaque no cenário nacional.
O primeiro semestre culminou com o título estadual. Mas veio o Brasileirão, infinitamente mais exigente, e os problemas começaram. A falta de planejamento era clara. Foram ao todo 23 reforços para a temporada, com desmanche após a conquista do Campeonato Mineiro. Resultado: o Atlético navegou toda a competição entre os últimos e parecia destinado ao rebaixamento.
Luxemburgo deixou o time em situação crítica para tentar salvar o Flamengo do mesmo destino. Conseguiu a muito custo. Mas a realidade é que se Luxemburgo fosse um time (somando-se os pontos com os dois clubes) teria caído para a segunda divisão nacional.
Para 2011, o técnico prometeu mudar os rumos do Flamengo. E o seu. Traçou um planejamento sério com a diretoria rubro-negra, que priorizava investimento pesado em carências específicas, em vez de um começar do zero, de uma caça às bruxas com reformulação completa do elenco e contratações duvidosas.
Vieram Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho, os pilares que sustentariam seu esquema. Outras contratações pontuais encorparam o elenco, como Darío Bottinelli. Durante o Brasileirão, o clube aprimorou a lateral esquerda e a zaga, com Junior Cesar e Alex Silva. Nada comparável as mais de duas dezenas de contratações do clube mineiro.
É evidente, portanto, que Luxemburgo não trabalha - e brilha - sozinho. Ele colhe os frutos de seu conhecimento, mas também de um planejamento bem traçado e de um suporte sólido no clube da Gávea. Mas não há como negar que o veterano treinador, de 59 anos, se reinventa. A coroação definitiva seria o sexto título brasileiro pelo clube do qual é torcedor e do qual sonha um dia ser presidente. (AGÊNCIA ESTADO/Rio de Janeiro)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar