Um clássico entre Brasil e Argentina iria movimentar a cidade em setembro. Seria óbvio que a Federação Paraense de Futebol estivesse por dentro dos fatos, mas, infelizmente, as coisas não funcionam desse jeito. Na manhã de ontem (3), quando a notícia passou a ser comentada nas redes sociais, a divulgação do amistoso, feita por políticos, ainda carecia de confirmação pela Confederação Brasileira de Futebol. Segundo a assessoria, nada oficial. Antônio Carlos Nunes? Como sempre, nada sabia.
Nada mais natural, já que o próprio presidente da FPF assumiu, dias atrás, ao ser perguntado sobre que papel as federações deveriam assumir em relação às acusações de corrupção sofridas por Ricardo Teixeira (dar apoio ou buscar esclarecimentos), que “não opina sobre o que acontece lá” e “não se mete nos negócios dos caras”. Uma posição covarde, que vai contra os interesses esportivos do Estado. Mas totalmente de acordo com seus interesses pessoais, já que o esquema de troca de favores é nítido.
Desde que Belém foi preterida como sub-sede da Copa do Mundo de 2014, alguns “mimos” (verdadeiros “cala-bocas”) começaram a ser distribuídos e o principal beneficiado foi o coronel Nunes. Primeiro, foi convidado a ser chefe da delegação brasileira na Copa das Confederações de 2010, na África do Sul. Recentemente, foi acompanhar a Copa América, na Argentina – somando despesas que poderiam, por exemplo, ser aplicadas no custeio da participação paraense no Campeonato Brasileiro da Série D, evitando que os jogadores do São Raimundo tivessem que ir de barco ao Amapá, numa viagem de 25 horas de duração.
Agora, Brasil x Argentina no Mangueirão. O estádio vai lotar, sem dúvida. É um evento de grande porte, mesmo que os jogadores que atuam na Europa não joguem. Porém, por mais que a paixão pelo futebol seja enorme, não pode haver cegueira. A costura política é nítida e demonstra claramente o seu propósito: mostrar que o atual governo conseguiu trazer a seleção brasileira a Belém e o antigo “perdeu” a Copa. Olhando por esse lado, nem dá para culpar o coronel Nunes por tamanha desinformação, já que a palavra final é mesmo de Teixeira, que, com seus tentáculos, avança sobre as esferas de poder no Brasil.
À tarde, o jogo foi confirmado em coletiva de imprensa. De quem? Do governador do Estado. Nunes estava lá, mais como um papagaio de pirata, que adora holofotes, do que como responsável por alguma coisa. Assim, fica a dúvida: será que, no futuro, alguém ainda perderá seu tempo tentando obter informações sobre futebol com o presidente da FPF? Não será mais fácil buscá-las diretamente com a bancada paraense no Senado ou com o governador? Se Nunes está “muito longe da CBF para opinar” sobre questões cruciais de âmbito esportivo, além de desconhecer um “simples” clássico Brasil x Argentina em Belém, o que, afinal, sabe Antônio Carlos Nunes?(Diário do Pará/ CARLOS EDUARDO VILAÇA)
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