Acada vez que entra em campo, o Flamengo carrega consigo uma dupla responsabilidade sobre os ombros: manter-se na briga ponto a ponto com o Corinthians pela liderança e preservar a invencibilidade no Campeonato Brasileiro, que já virou uma atração à parte. Tudo isso está em jogo contra o Figueirense, neste domingo, às 16h, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.
Prova de que o time rubro-negro virou o alvo mais cobiçado pelos adversários está no fato de que todos os ingressos para a partida foram vendidos com grande antecedência. Casa lotada e clima de decisão no ar. “Jogo complicado. Ganhar lá sempre é muito complicado, sabemos que será difícil. Vejo como um dos jogos mais importantes, já que chegamos ao mesmo número de pontos do Corinthians, mas eles têm a vantagem das vitórias (10 contra 9) e jogam em casa (contra o Ceará)”, avaliou o técnico Vanderlei Luxemburgo.
Para o comandante rubro-negro, ninguém vai conseguir disparar na liderança. Depois de um início arrasador, o São Paulo oscilou e se recuperou. O mesmo se dá agora com o Corinthians. O Flamengo é que mantém um ritmo constante.
O treinador tem uma decisão a tomar de última hora. Thiago Neves sentiu a panturrilha esquerda durante treino na última sexta e vai ser acompanhado até minutos antes do jogo. Caso seja vetado, Bottinelli é o mais indicado. A esperada estreia de Alex Silva ainda não vai acontecer. Luxemburgo optou por dar mais tempo ao defensor. “Não adianta estar bem fisicamente se ainda não está no ideal. O jogador vinha parado há bastante tempo”, comentou o técnico.
Luxemburgo sonha com outro título
AE - Qual o segredo do sucesso do Flamengo?
Luxemburgo - Planejamento. O Flamengo foi planejado nas contratações, nas dispensas, na reformulação, na filosofia de trabalho da Patricia Amorim.
AE - Você é o maior vencedor de Brasileiro. Já vislumbra um novo título?
Luxemburgo - Eu quero ganhar sempre, mas ainda é muito cedo para se falar disso. O Campeonato Brasileiro vai ser definido nas últimas cinco rodadas, como foi no ano passado, com dois ou três clubes sabendo que a derrota ou o empate de um vai abrir o caminho para o outro.
AE - Depois de sete anos, você voltou a despontar num Brasileiro...
Luxemburgo - Normal. Isso não é um privilégio meu. Vocês analisam a competição. Quem consegue ganhar todos os anos campeonatos como a Liga dos Campeões da Europa, quem? O Alex Ferguson está há quase 30 anos no Manchester United e só ganhou esse título duas vezes. Meu último Brasileiro foi em 2004, pelo Santos. Em 2003, ganhei pelo Cruzeiro. Eu poderia ter vencido outro, pelo Palmeiras (em 2009). Mas o Belluzzo (Luiz Gonzaga, ex-presidente) mostrou uma inabilidade muito grande, jogou um Brasileiro fora por vaidade.
AE - Há os que apostam que você chegaria mais longe apenas como técnico-técnico, limitando-se à sua função, em vez de interferir na gestão do futebol do clube...
Luxemburgo - Isso é uma grande bobagem. Onde é que eu perco o foco? Vocês criam essas coisas, isso se massifica, vira rótulo e acabou. Ah, o Vanderlei está desfocado. Desfocado como? Ganhei nove campeonatos seguidos, perdi um, aí estou desfocado? Jornalistas podem falar em site, escrever em jornal, ter programa de rádio e TV. Vocês são o suprassumo, eu sou o “supramerda”. Isso é falta de respeito. Só tive um ano ruim, ano passado, no Atlético Mineiro. São 22 anos de carreira top, de primeira linha. (Agência Estado)
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