Além do volante Kleberson, do Atlético-PR, pelo menos outros dois jogadores caíram na rede da Receita Federal na Operação Black Ops realizada nesta sexta-feira junto com a Polícia Federal em sete estados, na qual 102 carros contrabandeados foram aprendidos.
O atacante Emerson, do Corinthians, o volante Diguinho, do Fluminense, também terão que se explicar sobre a aquisição de seus veículos. Existe a possibilidade de outros jogadores terem o mesmo problema. Afinal, calcula-se que o número de carros contrabandeados pelo esquema desmontado pode, no mínimo, dobrar. Além dos atletas, o cantor Latino teve o Porsche apreendido.
A Receita Federal explicou que os veículos eram adquiridos no exterior seminovos e desembarcavam nos portos brasileiros com falsas declarações atestando serem zero quilômetros. Eles até recolhiam os impostos de importação sobre o preço de mercado de um carro zero, mas normalmente este valor estava subfaturado por não incluir acessórios.
Para o usuário, a vantagem do esquema é contar com a rapidez na entrega dos carros – segundo auditores da receita, há filas grandes nas revendedoras autorizadas de importados. Também usam do direito da encomenda customizada, isto é, especificar modelos, cores e acessórios desejados. Por fim, o carro pode sair mais barato. Houve casos em que o preço de revenda era 30% menor de o de carro zero.
Estas importações eram feitas por dois grupos cujos integrantes tiveram suas prisões decretadas. Um deles, comandado pelo israelense Yoram El Al – há muito procurado pela Interpol - tinha ramificações em diversos países e também mexia com pedras preciosas. O outro era chefiado por Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do bicheiro José Carlos Scafura, o Piruinha, e fazia a revenda dos carros pela loja Euro Imported Cars Veículos Ltda., localizada na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio. Este segundo estava ligado ainda à exploração de caça-níqueis. Do esquema também participavam "importadoras" fantasmas.
Muito embora suspeitem dos proprietários destes carros apreendidos, os auditores da Receita admitem que será necessário analisar caso a caso para saber se realmente eles foram coniventes com o contrabando ou apenas ludibriados. No caso do volante tricolor, por exemplo, o carro que ele estava usando teria sido comprado do atacante Emerson. Há casos de carros que mudaram de donos mais de uma vez, não estando claro ainda se foi casualidade ou uma forma de esconder quem realmente fez a encomenda do veículo.(eBand)
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