Neymar jamais será Pelé, mas, em alguns momentos, chega a lembrar o Rei. Isso ninguém pode negar. Como no segundo gol dele na confirmação da conquista do tri, aos 26 minutos do segundo tempo. Iniciou a jogada com uma sequência de dribles, passou para Juan na esquerda e, no cruzamento, já estava desmarcado para concluir para as redes.
Ou ao tocar rapidamente a bola, ganhar alguns centímetros de vantagem sobre o marcador e disparar até a marcação do gol. Ninguém pega mais Neymar depois que sai na frente. Ou ainda na beleza da maioria dos gois. O improviso e a facilidade para tirar a bola do alcance do goleiro e mandá-la para a rede.
No massacre santista contra o Bolívar, Neymar fez dois gois e construiu outros três. Neste domingo, foram mais dois, fechando o Campeonato Paulista como artilheiro, com 20 gois em 16 jogos.
O gosto de Neymar pelas redes aumenta de jogo para jogo. Embora demonstre respeito e admiração pelos maiores artilheiros da história santista, faz da superação de marcas motivação especial Já é o maior de todos após o encerramento da carreira de Pelé, com 108 gois. Deixou para trás o seu ídolo Robinho; depois Serginho Chulapa; João Paulo, o Papinha da Vila; e Juari. Agora começa a perseguição aos jogadores lendários.
Os primeiros dos contemporâneos de Pelé ultrapassado por Neymar foram Del Vecchio (105 gois na soma de suas duas passagens pelo Santos, em 1953-57/1965-66) e Alvaro (106). O próximo será Vasconcelos, que marcou 111.
Zito já era titular no Santos quando Pelé chegou à Vila Belmiro em 1956 e jogaram juntos por mais de uma década. Ninguém sabe mais de Pelé do que ele. Também coube ao antigo volante descobrir o segundo maior talento do clube. “Um sujeito me falou que num time de futebol de salão de criança, perto do Porto, tinha um menino com jeito de Pelé. Sempre ouvia esse tipo de indicação, mas resolvi conferir. Acho que ele tinha uns 11 anos e já jogava como hoje. Imediatamente falei para o Marcelo Teixeira (presidente do Santos) conversar com os pais dele e contratá-lo”, contou o ex-coordenador das categorias de base. “Novo Pelé, Neymar não vai ser, mas já está entre os melhores do mundo”, acrescentou Zito.
O que acaba com qualquer comparação são os números. Depois de 43 anos, em grande parte graças a Neymar, o Santos ganha o seu terceiro tricampeonato paulista. O atacante marcou 14 gois no Estadual de 2010, 4 no de 2011 (passou muito tempo com a seleção no Sul-Americano Sub-20) e 20 em 2012, totalizando 38. Pelé marcou 32 na conquista do Paulistão de 1960, 46 em 61 e 37 em 62, totalizando 115 gois nos três títulos. No tri, no fim da década de 60, Pelé marcou 58 (15 em 1967, 17 em 68 e 26 em 69). O que não se pode negar, porém, é que em tempos de talentos escassos, os números e a arte de Neymar são de impressionar. Coisa de gênio mesmo.
(Agência Estado)
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