José Maria Marin ocupa a cadeira de presidente da CBF há pouco menos de três meses, mas o comando do veterano político já é sentido na seleção brasileira. Ao contrário de seu antecessor Ricardo Teixeira, um homem sisudo e quase sempre mal-humorado, ele exibe constantemente seu sorriso e se preocupa bastante com as aparências. Não por acaso, a delegação do Brasil tem se mostrado muito mais simpática na excursão pelos Estados Unidos do que em ocasiões anteriores. E as portas já não estão mais escancaradas para os empresários.
Tão logo assumiu o comando da CBF, Marin disse que não queria ver empresários circulando pela concentração, pois acredita que isso pode atrapalhar o trabalho dos jogadores. Não deixa de ser também uma tentativa de agradar à opinião pública, já que a presença dos agentes no ambiente da seleção sempre foi vista com maus olhos pela torcida e pela imprensa, pois passava a mensagem de que os atletas estavam mais preocupados com transações milionárias do que em defender o Brasil.
Transações milionárias, aliás, estão na ordem do dia na seleção. Apenas para mencionar três exemplos, Hulk já estaria acertado com o Chelsea, Thiago Silva interessa muito ao Barcelona e Lucas é desejado pelo Real Madrid. Os representantes desses jogadores estão trabalhando muito para concretizar as negociações, mas todos bem longe de Nova Jersey, onde está atualmente a delegação do Brasil. Não há nenhum deles circulando pelo elegante hotel em que a equipe está concentrada, com uma lindíssima visão de Manhattan, assim como não havia em Washington ou em Dallas, por onde o grupo já passou nos Estados Unidos.
Como o novo chefão não quer os agentes por perto, os jogadores não ousam reclamar. Ainda que as conversas sobre transferências sejam inevitáveis, eles tomam o maior cuidado para não contrariar a vontade de Marin. “A gente fala sobre isso, sim, até porque nossa maior diversão aqui é internet e não há como não dar uma olhada nas notícias”, disse o zagueiro e capitão Thiago Silva. “Mas a gente nunca perde o foco no que a gente tem de fazer, que é defender bem a seleção.”
SIMPATIA
Nos Estados Unidos, a seleção tem adotado comportamento amigável com os torcedores brasileiros que aparecem na concentração atrás de uma foto ou de um autógrafo. Também por influência do novo presidente da CBF, os jogadores se mostram atenciosos com os fãs e não se negam a atendê-los. Em Washington, por exemplo, muitos brasileiros residentes na cidade passavam horas circulando pelos corredores do hotel em que a delegação estava hospedada sem serem incomodados.
Na última segunda-feira, quando os jogadores tiveram sua única folga durante a excursão que começou na Alemanha e está rodando os Estados Unidos, vários deles foram abordados na rua por torcedores e ninguém recusou fotos e autógrafos. Sinal dos novos tempos na seleção brasileira.
(Agência Estado)
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