Paulo Henrique Ganso protagonizou uma das novelas mais longas nos últimos anos, o que contribuiu para acirrar a rivalidade entre São Paulo e Santos. Mas o “clássico” pelo meia não deve ficar só em São Paulo. No Pará, onde o jogador nasceu, a disputa também promete ser grande. Tuna Luso e Paysandu dizem ser clubes formadores do atleta e acompanham o caso de perto para receber a quantia a que terão direito em uma eventual futura venda ao exterior. O problema é que as partes divergem sobre a formação do jogador e têm expectativas diferentes sobre seus direitos.
Ainda muito menino, Ganso chegou à Tuna Luso em 1996 para jogar futsal, o que não reconheceria o clube como um dos formadores do jogador, conforme alega o presidente Luiz Omar Pinheiro, do Papão da Curuzú, onde o meia foi jogar em 2005, logo após sua passagem pela Tuna. O mandatário rival, entretanto, diz que o meia também jogou futebol de campo na Tuna Luso e acredita que seu clube tem direito a receber pela transferência, não só em uma futura venda como já agora. Ele calcula que o clube vai receber quase R$ 500 mil dos R$ 23,9 milhões que o São Paulo pagou ao Santos.
“A Tuna tem direito a 2% como clube de formação. No início ele jogou no salão, mas depois foi para o futebol de campo. Eu até pensei que não tivesse direito, achando que fosse só para transferências internacionais, mas um escritório de advocacia do Rio de Janeiro já nos contatou. Vamos entrar hoje mesmo com um pedido na CBF. E se não der entraremos na justiça. Temos toda a documentação”, disse Fabiano Bastos, que além de presidente, também é advogado.
O band.com.br entrou em contato com o responsável pelo departamento de registro da Federação Paraense de Futebol, Nestor Fernandes, e ele diz que há documentos provando que Ganso jogou futebol de campo não só na Tuna Luso, como também na Sociedade Recreativa Beneficente Estrela.
Ainda assim, o Paysandu rebate e diz que é o único clube, além do Santos, que tem direito ao dinheiro. O mandatário do clube ainda afirma que seu clube só receberá em caso de venda para o exterior, e não agora, como quer a Tuna Luso.
“Há uma controvérsia aqui no Pará, porque o único clube em que ele foi federado como jogador de futebol foi o Paysandu. Na Tuna Luso ele só jogou futebol de salão. Como o Ganso saiu daqui com 17 anos, o Santos tem direito a uma parte maior. Estávamos acompanhado [transferência para o São Paulo], mas o Paysandu não direito a nada. Só no caso de venda para o exterior. Ele chegou aos 15 anos no Paysandu. Calculamos receber em torno de 1,25% do valor de um negócio futuro", afirmou Luiz Omar Pinheiro.
"Não há pressão da torcida sobre isso. A Tuna Luso é uma espécie de Portuguesa de São Paulo. Atualmente está muito em baixa. O Remo é o nosso maior rival”, completou.
Consultado pelo band.com.br, o advogado Domingos Sávio Zainarghi - especializado em legislação esportiva – disse que o direito a receber por ser o clube formador vale tanto para transferências internacionais como nacionais. O clube ganha 1% dos direitos de uma eventual transferência a cada ano que o jogador passa lá dos 14 aos 17 anos. Depois, dos 18 aos 19, o direito é de 0,5%. Totalizando tudo, caso o atleta passe esses cinco anos no clube, o direito será de 5%.
Tuna Luso já prevê ‘novo Ganso’
Confiante que receberá o dinheiro, o presidente da Tuna Luso já até planeja o que fazer com a grana: investir nas categorias de base. E, mesmo sem ainda contar com o dinheiro, ele garante que já tem atleta para despontar no futebol nacional, assim como aconteceu com Ganso.
“A Tuno Luso está ressuscitando. É um dinheiro muito bom. O clube já tem patrimônio invejável, é maior que o de Remo e Paysandu juntos. Esse dinheiro que está recebendo dá para fazer um CT moderno, para investir na base mesmo. Isso tudo para depois começar a ganhar no profissional, retomar nossa história. A Tuna precisa ganhar com isso”, afirmou Fabiano Bastos.
“Nosso time tem 19 jogadores surgidos na base. Tem garoto que vai começar a aparecer aí no futuro... Ele tem 16 anos, o nome dele é Pelevinho. É do interior do Pará, diferenciado, atacante, mora na Tuna e joga no sub-17. Se não acontecer nada trágico na carreira, vai dar frutos. A Tuna tem tradição com garotos. Nós já revelamos Giovanni, Ganso, Velber... E hoje 3 ou 4 jogadores revelados por nós estão em cada clube do Pará”, completou.
A intenção do Paysandu é a mesma. “Qualquer dinheiro é bem-vindo. Quem sabe a gente não recebe R$ 1 milhão em uma futura venda do Ganso? Se um dia recebermos esse dinheiro, vamos investir na base. Agora mesmo esperamos receber pela venda do Lima, do Braga para o Benfica, os 5% [jogador foi vendido por 4,5 milhões de euros]”, disse Luiz Omar Pinheiro.
(Band.com.br)
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