O presidente da Fifa, Joseph Blatter, denuncia o fato de que os manifestantes nas diversas cidades no Brasil estão usando o futebol como “plataforma” para seus protestos e alerta que já vem discutindo essa situação com a presidente Dilma Rousseff. Em declarações nesta segunda-feira, o dirigente ainda comparou a situação vivida pela Fifa no Brasil ao que ocorre na Turquia, onde manifestantes estão causando um terremoto político em Istambul e gerando tensões na região.
Na Turquia, a Fifa realizará o Mundial Sub-20 em poucos dias. “Temos visto isso também na Turquia e temos toda a confiança nas autoridades”, afirmou, após participar de um congresso no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, sobre o papel das finanças e o futebol. “O futebol existe aqui para unir as pessoas. Isso está claro e conheço um pouco das manifestações que estão ocorrendo aqui”, disse Blatter. “Acho que as pessoas estão usando a plataforma do futebol e a presença da imprensa internacional para deixar claro certos protestos”, declarou.
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi contundente ao dizer que o governo federal fará de tudo para evitar que os protestos que se espalham pelas capitais brasileiras afetem a realização da Copa das Confederações e os demais grandes eventos. Se necessário, a repressão será com força. “Quem achar que pode tentar impedir (a realização dos jogos) enfrentará a determinação”, bradou. “O governo assumiu como responsabilidade e honra acolher esses dois eventos internacionais e vai realizá-los oferecendo segurança e integridade aos torcedores e turistas”.
Para o ministro, a ação da polícia tem sido dentro dos limites necessários. “As forças de segurança têm garantido a realização desses eventos, permitindo as manifestações, mas contendo de forma a não atrapalhar os jogos”, disse Rebelo.
O ministro também comentou sobre o atraso nas obras de infraestrutura prometida para a Copa de 2014. “Todas as obras que constam da matriz de responsabilidade serão concluídas dentro do prazo. As que não forem concluídas serão retiradas da matriz”, disse Rebelo, arrancando risos.
MARIN PREOCUPADO
A CBF admitiu nesta segunda que as manifestações nas cidades brasileiras são “preocupantes” e criticou a violência dos protestos. “Claro que sempre causa uma certa preocupação”, declarou o presidente da CBF, José Maria Marin, no hotel Copacabana Palace. “Seria preferível que toda a atenção estivesse voltada exclusivamente para o futebol e acho que essa é a preocupação de grande parte do povo brasileiro”, insistiu. “A manifestação sem a violência tem de ser respeitada. Em uma democracia é perfeitamente normal. O que não pode existir é a violência. Ninguém aceita”.
Questionado se a violência da polícia não era aceitável, Marin respondeu: “O que estou dizendo é que a manifestação de forma democrática e sem violência tem de ser respeitada. Ninguém aceita a violência, não é o melhor caminho. Sempre fui um homem de diálogo”.
Já o vice-presidente da CBF, Marco Polo del Nero, tentou minimizar a importância dos manifestantes. “Foram quantos? Mil? Tem 199 milhões de brasileiros trabalhando e esses querendo atrapalhar”, atacou.
(Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar