Atacado por integrantes de torcidas organizadas e associados do Corinthians, Andrés Sanchez anunciou nesta terça-feira (5), por meio de nota à imprensa, que vai se afastar da administração do Itaquerão a partir do próximo dia 18.
As críticas são sobre os preços de ingressos cobrados para jogos do Corinthians no estádio, especialmente no setor oeste (entre R$ 250 e R$ 400) e no leste superior (R$ 180). Sanchez rebate com a lembrança de que o bilhete mais barato é R$ 50 -R$ 10 mais caro que o valor que era cobrado no Pacaembu.
Os filiados ao programa Fiel Torcedor também têm direito a descontos.
Mas a saída do ex-presidente do dia a dia do estádio tem também motivo político. Ele será candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo e não quer se indispor com uma parte dos torcedores corintianos, responsáveis pelos votos que podem elegê-lo.
No final de semana, faixas foram colocadas no Parque São Jorge protestando contra a política de ingressos. O comitê de campanha de Sanchez na capital foi pichado com a frase "Andrés, aqui não tem burguês", frase que já era gritada nos estádios.
Abaixo, a íntegra da nota divulgada por Andrés:
"Tomei uma decisão, para deixar muito claro às pessoas que em nenhum momento me senti dono, proprietário ou qualquer coisa desse sentido, do estádio do Corinthians. O que acho que consegui foi contribuir com outras pessoas para que esse sonho tão importante na vida do clube fosse concretizado.
Não posso aceitar que um grupo pequeno de pessoas de dentro do clube e torcedores pensem desse jeito, afinal de contas o que o Corinthians tem hoje é um dos estádios mais modernos do mundo. Seria hipocrisia não ter a responsabilidade de entender que essa é uma conta que todos nós temos a obrigação de pagar.
No começo ouvia indignado, que o Corinthians estava ganhando um estádio, e hoje todo mundo sabe que temos a responsabilidade de honrar com o pagamento. Desde o começo da construção, deixo o planejamento financeiro para pagar o estádio, conforme planejado com grupos de pessoas que querem o bem do clube.
Por isso, a partir do dia 18 de agosto, não terei mais nenhum envolvimento com o estádio, deixo a presidência do Fundo responsável pelo empreendimento e continuo sendo conselheiro vitalício e como ex-presidente, membro nato do CORI e vou continuar sendo o que sempre fui, um apaixonado pelo clube e torcedor fanático.
Desde que sai da presidência do clube, não opinei em nada relacionado às finanças do Corinthians.
A essas pessoas quero deixar claro, que eles estão contra um dos melhores projetos da história do Corinthians, que é o Fiel Torcedor que tem sido tão importante para demonstrar a paixão dos torcedores do clube. O Fiel Torcedor, além de render financeiramente, demonstra claramente para quem quer enxergar que o torcedor corintiano se envolve com tudo, para não só apoiá-lo, como contribuir financeiramente para manter o time num determinado momento, e posteriormente para ajudar muito na edificação do estádio.
Estou muito chateado, mas como quero deixar claro para as pessoas que não sou dono de nada no Corinthians, a não ser pela minha paixão pelo clube, a partir da semana que vem, vou fazer aquilo que sempre fiz, sentar na arquibancada e torcer muito pelo Corinthians".
(Folhapress)
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